A luz da manhã entrava suave pelas frestas da cortina, tingindo o quarto com tons dourados e melancólicos. Helen despertou lentamente, como se seu corpo relutasse em abandonar o refúgio silencioso dos sonhos, porque lá, ao menos, o amor de Ethan era inteiro, e seu.
Mas a realidade não oferecia conforto.
Abrir os olhos significava lembrar. E, às vezes, recordar do que não se tem é mais cruel do que qualquer pesadelo.
Lembrava-se da presença constante de Ethan naquela casa, mas também da ausência gritante que havia entre eles. Lembrava do toque educado, da distância disfarçada de convivência, dos olhares que não se encontravam.
Ela era sua esposa…Mas era como se fosse invisível.
Casada, sim, porém sozinha.
Com o coração encolhido, abriu os olhos devagar, deixando que a claridade revelasse o cenário ao redor. Levou alguns segundos para perceber o que havia de diferente: estava em sua cama, mas não se lembrava de ter ido até ali.
A última coisa que recordava era o sofá. Estava ali na noite anterior, encolhida com os pensamentos sufocando o peito, abraçando a própria solidão como única companhia.
Sentou-se devagar, puxando o lençol até o colo. Seus olhos vasculharam o ambiente em busca de respostas, foi aí que viu seus sapatos ao lado da cama. Alinhados com delicadeza. Um detalhe pequeno, quase banal, mas que atingiu seu coração com a força de uma confissão silenciosa.
Ethan…
O nome surgiu como um sussurro interno, carregado de dor e ternura.
Ele havia estado ali. Tinha a carregado, a deitado na sua cama, retirado os seus sapatos e a coberto.
Helen levou a mão ao peito, como se pudesse acalmar o coração disparado. Para ela, aquele gesto significava mais do que qualquer palavra. Porque, para quem vive à sombra de um amor não correspondido, qualquer vestígio de cuidado é um sopro de esperança.
Talvez tenha sido apenas um gesto de responsabilidade.
Talvez fosse apenas o peso do acordo entre eles.
Mas para Helen… era muito.
Era tudo.
Levantou-se lentamente, os pés tocando o chão frio, e caminhou até a porta com passos suaves, como se tivesse medo de quebrar o encanto do que ele deixara para trás.
No corredor, o ar ainda guardava o perfume dele.
Amadeirado, discreto, intenso… Como Ethan.
Desceu as escadas em silêncio, sentindo o coração apertar com cada degrau.
A casa, como sempre, estava vazia. Mas não era a ausência física que doía, era a outra.
Aquela ausência emocional que se instala mesmo quando a pessoa está a centímetros de distância.



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