O elevador abriu silenciosamente no andar da cobertura, revelando Ethan e Helen lado a lado. O dia tinha sido longo, arrastado e cheio de reuniões intermináveis na empresa, mas ali, fora dos olhares, contratos e formalidades, eles pareciam… quase leves, ou estavam tentando.
O problema era que a tensão sutil que vinha crescendo entre eles há dias, ou talvez, semanas, parecia só ganhar força quando estavam a sós.
Ethan lançou um olhar para ela enquanto jogava as chaves displicentemente no aparador e começava a abrir os botões da camisa.
— Eu tô morrendo de fome — declarou com um drama teatral, massageando o estômago como se estivesse à beira da morte.
Helen soltou uma gargalhada e pendurou a bolsa no encosto de uma cadeira.
— Vai tomar banho enquanto eu peço comida — mandou ela, já pegando o celular.
Ethan lançou-lhe um olhar ultrajado, o canto da boca puxando num sorriso travesso.
— Tá certo, mamãe — resmungou, caminhando de costas em direção ao quarto. — Mas pede sushi! — gritou antes de desaparecer no corredor.
Helen revirou os olhos, sorrindo de canto. “Mamãe”, aham. Se ela era a mãe, então ele era a criança de pijama que precisava ser vigiada para não fazer besteira.
Enquanto Ethan tomava banho, Helen aproveitou para se livrar da tensão do dia também. A água quente escorrendo pelos ombros parecia lavar, junto com o cansaço, os pensamentos tortuosos que se acumulavam desde que ele começara a agir diferente.
Mais presente.
Mais doce.
E ela… estava se acostumando rápido demais com isso. Rápido e perigosamente.
Ao sair do banheiro, abriu a gaveta e escolheu sem hesitar o pijama de pandas que ele tinha lhe dado de presente. A blusa larga mostrava um panda abraçando um bambu com uma carinha boba. A calça de flanela era repleta de pequenos pandas em posições absurdas. Nos pés, as pantufas felpudas completavam a tragédia fashion.
Ridículo. Fofo. Perfeito.
Organizaram a sala como um verdadeiro ninho. Helen puxou o sofá retrátil, espalhou almofadas coloridas, estendeu o cobertor de elefante rosa — aquele que Zoe jurava que era um crime contra a estética — e preparou tudo para uma noite de puro conforto.
Era quase patético o quanto aquele ritual a deixava feliz.
Separou duas bandejas para o sushi, dois copos altos de refrigerante e ajeitou tudo com esmero.
Foi quando ouviu passos. E então… Ethan apareceu na porta da sala.
Helen parou. A boca entreaberta. O coração… tropeçando.
Ele usava um short de panda idêntico ao dela. A blusa preta ajustada ao peito, os músculos visíveis, contrastando com a estampa absurdamente fofa.
E, como se não bastasse, ele girou sobre os calcanhares, como se estivesse desfilando.
— E aí, gostou da minha escolha de alta costura? — perguntou, fingindo voz de modelo.
Helen arregalou os olhos e começou a rir, o rosto corando até a alma.
— Está… lindo. Um modelo único. — zombou.
— Eu sei. — respondeu ele, convencido, piscando descaradamente. — Somos um casal tema agora. Time panda!
— Convencido! — ela retrucou, jogando uma almofada nele.
Ethan, claro, agarrou a almofada no ar com a habilidade de um ninja de pijama e revidou jogando-a de volta.
— Não resistiu a essa gostosura de panda, admite! — brincou.
Helen gargalhou alto, com as bochechas já doendo. Era tão bom rir assim… Era tão fácil esquecer o mundo ao lado dele.
Ethan correu até o sofá e mergulhou entre as almofadas com a graça de uma criança hiperativa.
— Nossa, chatinha… você nasceu pra isso! — disse, admirando o cenário montado. — Conforto, comida e pijamas temáticos. Me pergunto por que ainda não renovamos nossos votos!
— Porque com esse seu senso de moda, eu deveria pedir o divórcio. — Helen rebateu, com sarcasmo e um brilho nos olhos.
— Que ingratidão. Vou cobrar por esses momentos de puro entretenimento.
Ela riu, e ele piscou novamente, como se aquele fosse o golpe final.
Eles comeram entre piadas, risadas e discussões calorosas sobre quem sabia usar melhor o hashi. Ethan, claro, fazia questão de competir — mesmo derrubando pedaços de sushi no prato de Helen de propósito.
— Você é um desastrado! — ela reclamou, limpando o molho da manga do pijama.
— Eu chamo de ataque estratégico para enfraquecer o inimigo. — respondeu ele, piscando.
A chuva fina começou a tamborilar contra os vidros, criando um fundo musical acolhedor.
Depois de muito rirem e se empanturrarem, Ethan estendeu os braços num longo bocejo.

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