Capítulo 202
Mariana Bazzi
— Mari, olha pra mim — ele segurou meu rosto entre as mãos, o polegar acariciando minha bochecha com a mesma firmeza que usava pra segurar uma arma. — Vai ficar tudo bem. Eu vou resolver isso.
Assenti devagar, engolindo em seco.
— Só me promete que vai tomar cuidado, Ezequiel… por favor.
— Prometo. Mas você também tem que me prometer algo.
— O quê?
— Cuida dos convidados. Finge que tá tudo sob controle. E mais importante... — ele se aproximou, os olhos nos meus como se quisesse me marcar com aquele olhar. — Não sai de casa por nada. Você e nosso filho são minha prioridade agora. Já basta ter te visto sangrar uma vez.
A lembrança me atingiu como um tapa. Instintivamente levei a mão até a barriga.
— Eu vou cuidar dele, eu juro. Ainda mais agora. — Respirei fundo, tentando buscar racionalidade. — Mas vou pensar numa forma de ajudar. Estratégica. Não posso ir pro campo de batalha com você por esses dias, mas posso ser útil daqui. Ainda sou a dama da Zion, não sou? Sei jogar esse jogo, mesmo grávida.
Ele esboçou um sorriso tenso, orgulhoso e preocupado ao mesmo tempo.
— Eu sei. E é exatamente por isso que quero você segura.
Ele me deu um beijo rápido, e quando se afastou, já tinha voltado àquele semblante de lobo que conheço tão bem.
— Já avisei os homens. A segurança da casa foi dobrada. Eles têm ordem de atirar sem hesitar se alguém ameaçar esse portão.
— E você vai mesmo atrás dele? Desse... Primo.
— Khalid? Vou. Mauro me deu a localização que o primo mandou por mensagem. Se ele quer confronto, vai ter. Mas eu vou escolher o campo de batalha — disse, já pegando o casaco e a pistola que estava no compartimento da estante.
Assenti com o coração apertado.
— Vai, então. Mas volta inteiro.
— Eu volto. — Ele se virou, mas parou na porta. — E Mari...
— Sim?
— Não deixa ninguém te convencer de nada. Nem mesmo se vierem com promessas de paz. Khalid é igual ao pai dele: uma cobra disfarçada de cordeiro.
— Eu me lembrarei. Agora vai. Vai acabar com essa ameaça antes que ela cresça.
Ezequiel saiu com os passos firmes de quem sabe que está entrando em guerra. Fechei a porta atrás dele, coloquei a mão na barriga e sussurrei:
— Vai dar tudo certo, meu amor. Mamãe vai cuidar de tudo aqui... como sempre faz.
Mas por dentro, eu sabia: o tabuleiro tinha mudado. E eu já começava a mover minhas peças.
.
Quando voltei pra sala percebi os olhares. Então assumi o controle:
— A festa continua. Ezequiel já foi resolver o mal entendido. Vamos comer, tirar algumas fotos...
Quando voltei para a sala, percebi os olhares tensos. As risadas haviam cessado, os convidados cochichavam entre si, visivelmente inquietos com a ausência de Ezequiel.
Respirei fundo, ajeitei a postura e assumi o controle, como ele esperaria que eu fizesse.
— A festa continua. — declarei, com um leve sorriso no rosto, firme o bastante para não deixar dúvidas de que o controle agora era meu. — Ezequiel já foi resolver um mal-entendido com um primo distante. Nada que precise da nossa atenção. Vamos comer, tirar algumas fotos… — apontei para o fotógrafo que ainda estava parado com a câmera nas mãos. — Afinal, estamos celebrando uma nova vida, certo?

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