Capítulo 201
Mariana Bazzi
Assim que a última porta se fechou e o último par de sapatos cruzou a saída, puxei Ezequiel pela mão com urgência. Guiando-o até o escritório, fechei a porta atrás de nós com um estalo seco.
— O que vamos fazer? — sussurrei, a voz tremendo mais do que eu gostaria. Meus olhos estavam arregalados, e o coração ainda disparava no peito, como se pudesse explodir a qualquer momento.
Ele passou a mão pelos cabelos, exalando tensão.
— Não sei, Mari. Ainda não. Vou enrolar o quanto puder, analisar quem está comigo de verdade... e quem está em cima do muro. Talvez eu precise agir com firmeza contra os que hesitarem. — Seus olhos escureceram. — Não posso permitir divisões dentro da Zion. Muito menos colocar meu cargo em check.
— Mas quem é ele, amor? Esse homem que apareceu, que quer o cargo...
Ezequiel respirou fundo. Encostou-se na escrivaninha, como se o peso da memória ameaçasse derrubá-lo.
— Só existe um homem que teria sangue suficiente pra exigir esse lugar. Um primo. Filho bastardo de um dos irmãos de Ezequiel. Ele sempre foi afastado, mas deve ter ficado desconfiado quando Mauro fez aquele maldito exame de DNA que pedi quando perdi a memória... Deve ter ligado os pontos. Agora, com essa carta de Yulssef terminou de foder tudo.
— Você já imaginava que uma hora isso poderia vir a tona? — minha voz saiu fraca. — Que não é filho do Don.
Ele não respondeu de imediato. Apenas assentiu, com um movimento tenso de cabeça.
— Sabia. Mas enterrei isso, Mari. Enterrei com Ezequiel e só contei para os de confiança, também Valéria. Ele não merecia esse nome, nem esse cargo. Mas eu... Eu fiz a Zion crescer, eu mantive a ordem. Isso é meu. Conquistado com sangue e estratégia.
Aproximando-me dele, segurei suas mãos.
— Eu estou com medo, Ezequiel, mas tenho certeza que vamos dar um jeito.
Seus olhos suavizaram por um segundo, mas ele logo os endureceu de novo.
— Eu vou resolver isso. A Strondda e os Kim me apoiam. Eles não irão trair a aliança que firmamos. Especialmente com o trabalho que fazemos juntos.
— E se os nossos mudarem de lado?
— Então teremos guerra. Mas antes disso, eu vou caçar cada traíra. E esse primo... se ele quer me enfrentar, vai descobrir o que significa desafiar um homem como eu. Ele está longe de ser um Don. Não tem estrutura para isso.
— Vou te ajudar, querido.

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