Capítulo 205
Ezequiel Costa Júnior
Acabou. Saímos da Zion e entramos no carro.
O veículo avançava firme pela estrada isolada, os faróis cortando a escuridão como lanças. Eu estava no banco de trás com Mariana ao meu lado. Samira na frente, ao lado de Mauro, que dirigia com o olhar fixo no caminho, como se não quisesse ouvir, nem sentir, nem reagir ao que estava por vir.
As mãos ainda estavam sujas de sangue de Khalid e dos membros da Zion.
Eu não conseguia respirar direito.
O papel do exame repousava entre meus dedos, agora alisado, como se tentasse apagar os vincos da verdade.
Virei para Mariana.
— Onde conseguiu essa falsificação?
Ela desviou os olhos. O olhar dela… mudou. Umedecido, silencioso. Culpado.
— Eu não falsifiquei nada.
— Como assim?
— Eu sinto muito. — a voz dela era baixa, quase um sussurro. — Eu te disse, Ezequiel... eu te disse que ele não era seu pai, porque eu acreditava nisso, você mesmo havia me dito. Mas ele é. O exame é verdadeiro. Eu não sabia.
— Esse não é o exame que o Yulssef manipulou?
— Não. Esse... — ela respirou fundo. — Esse é o que o Mauro buscou na clínica. Aquele que você não quis ver. O envelope estava lacrado, com todas as autenticações da Zion na sua gaveta do escritório. Você teve a chance de olhar, mas achou que já sabia a resposta. Mauro buscou pessoalmente.
Senti algo dentro de mim se soltar.
— Não... — minha voz saiu engasgada. — Não pode ser.
— Don Ezequiel… — Mauro virou-se parcialmente do banco da frente, seus olhos cheios de compaixão. — Esse envelope nunca foi aberto. Não há dúvidas. Infelizmente, você é filho de Ezequiel Costa.
O carro seguiu em silêncio por alguns segundos eternos.
Minha garganta fechava. A respiração começou a falhar. Tudo à minha volta se movia como se o carro estivesse afundando em lama.
— Por quê? — sussurrei. — Por que a minha mãe mentiria? Por que ela deixaria que eu acreditasse em outra história?

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