Hospital Metropolitano, 12º andar do prédio de internação.
Quando Beatriz saiu do elevador carregando uma cesta de frutas e um buquê de lírios discretos, deu de cara com Tereza saindo de um dos quartos no fundo do corredor. Seus olhos se encontraram, e Beatriz se aproximou rapidamente.
— Tereza! — ela diminuiu o tom de voz. — Como está o Vovô?
— Estável. Foi para o quarto comum há pouco tempo. — Tereza pegou o que ela carregava e olhou para a porta. — Ainda está dormindo. O cuidador está de olho lá dentro.
Beatriz acenou com a cabeça e olhou pelo vidro da porta. Lá dentro, o Sr. Antônio estava deitado na cama. O rosto estava um pouco pálido, mas sua respiração fluía sem problemas. O cuidador mexia no celular na beira do leito.
— Vamos conversar lá fora — Tereza sugeriu num sussurro.
As duas caminharam até uma sala de descanso perto de um desvio no corredor. O Sol de outono iluminava fracamente as árvores do pátio externo e refletia algumas folhas pela janela.
Beatriz examinou a feição do rosto dela com calma: — Você emagreceu. Quase não tem comido nestes últimos dias?
— Tudo bem, a fase pós-cirúrgica é crítica. — Tereza apalpou levemente a testa em resposta. — Não tem espaço para desatenção.
— E qual é o problema principal que originou isso no Vovô? A insuficiência cardíaca não ia atuar rápido desse jeito — Beatriz puxou o assunto de novo. — Você não tem o supervisionado com frequência esses dias?
Tereza ficou em silêncio antes de soltar a voz bem pesada: — Intoxicação por digoxina. O triplo do limite aceitável no corpo.
Beatriz arregalou os olhos assustada com a afirmação: — Intoxicação?! E como...
— Heloísa Viana. — Ao citar o nome dela, os dentes de Tereza mastigavam em pura fúria controlada. — Assim que o meu pai me mandou de volta, ela havia deixado um pouco da tal 'sopa' escondida no casarão. E ele passou mal depois de engolir a mistura inteira.
— E o seu pai sabe do que a parceira andou fazendo? — Beatriz perguntou horrorizada pela cena.
— Sabe. — Tereza riu secamente. — E mais, até ajudou a sumir com a garrafa de conserva e espalhar pelo ralo os últimos vestígios do líquido tóxico. Acabei questionando e ele nem teve coragem de negar, apenas soltou na lata que tinha as próprias razões.
Beatriz respirou fundo de novo, impactada com tudo: — O Ricardo Viana perdeu a cabeça vez? É o próprio pai dele!
— O próprio pai? — Tereza suspirou para o Sol do lado de fora do vidro com grande reflexão amarga. — Minha avó sempre dizia que ele nunca prestou desde que nasceu. Por dinheiro, ele seria capaz de tudo, inclusive de me prejudicar. Agora olhando bem o estrago dos dias de hoje... minha avó até tinha razão com aquela frase dura na nossa mesa do almoço.

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