Três anos se passaram.
Ela esperou todo esse tempo, esperando que ele a enxergasse, que percebesse que ela não era substituta de ninguém: que ela era simplesmente Tereza.-
Agora ela finalmente havia entendido.
Existem pessoas que você pode esperar para sempre, e elas nunca chegam.
A tela do celular acendeu de novo, desta vez era uma mensagem no Whatsapp.
Quem mandava a mensagem era Beatriz, sua melhor amiga dos tempos de faculdade, e hoje a advogada de divórcio mais famosa da capital.
— Tere, vi as notícias. Você... está bem?
Tereza olhou a mensagem, ficou em silêncio por um bom tempo e então respondeu: — Estou bem.
A resposta foi quase imediata: — Bem, nada! Aquele babaca do Adilson está passando dos limites! Buscar gente no aeroporto já é demais, e ainda falar aquelas coisas na frente da mídia! O que ele acha que você é?
Dava para sentir a raiva de Beatriz através das palavras.
Tereza segurou o celular, a ponta do dedo pairando sobre a tela por um tempão, antes de digitar devagar: — Bia, me faça um favor.
— Pode falar!
— Prepare um acordo de divórcio para mim.
Depois que essa mensagem foi enviada, não houve resposta do outro lado por um longo tempo.
Após exatos cinco minutos, Beatriz ligou direto.
— Tere, você está falando sério? — A voz de Beatriz estava inusitadamente séria.
— Sim. — Tereza caminhou até a janela, olhando para aquele jardim de rosas indistinto na noite. — Já faz três anos, está na hora de acabar.
— Mas... você se conforma? — A voz de Beatriz estava cheia de pena. — O quanto você fez por ele nesses três anos? O estômago dele era sensível, você acordava cedo todos os dias para preparar refeições leves para ele; o trabalho o deixava muito estressado, então você aprendeu técnicas de massagem para ajudálo a relaxar; ele...
— Bia. — Tereza a interrompeu, a voz muito suave. — Ele nunca soube de nada disso.
O outro lado da linha silenciou.
— Ele nunca me enxergou de verdade — continuou Tereza, com um tom tranquilo, como se estivesse falando sobre outra pessoa. — Antigamente eu achava que, se eu me esforçasse o bastante, um dia ele me veria. Agora eu entendo: tem gente que não é cega, só faz de conta que não vê.
Beatriz respirou fundo: — Tudo bem, eu preparo. Mas Tere, você precisa pensar bem, uma vez que assinar, não terá mais volta.

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