A mente dela estava cheia daquele rosto de agora há pouco.
Era muito parecido.
Muito parecido com aquela pessoa.
Os dedos dela começaram a tremer de novo.
—
Paris, Castelo Rothschild.
O sol da manhã entrava pelas enormes janelas do chão ao teto e caía na sala de jantar, espalhando uma camada dourada e quente sobre a longa mesa.
Tereza Viana usava um vestido longo de tricô bege, o cabelo solto casualmente, descendo as escadas.
Ela viu a pessoa sentada à mesa de jantar e hesitou um pouco.
Charles estava sentado na cabeceira, com café e jornal à sua frente, lendo devagar. Ele usava um roupão cinza-escuro, o cabelo penteado meticulosamente, parecendo bem disposto.
— Vovô? — Tereza Viana se aproximou. — Por que o senhor ainda está aqui hoje? Normalmente, a esta hora o senhor já teria saído.
Charles abaixou o jornal, olhou para ela e sorriu com um rosto cheio de amor.
— Hoje, eu cancelei os compromissos com aqueles velhos.
Tereza Viana ergueu as sobrancelhas.
— Ah? Por quê?
Charles disse com convicção:
— Hoje é o primeiro pré-natal da nossa querida, claro que eu tenho que ir.
Tereza Viana hesitou um pouco.
— Vovô, o senhor não precisa...
— Preciso. — Charles a interrompeu. — No primeiro pré-natal, eu tenho que estar presente. Em todos os próximos, eu também vou estar.
Ele fez uma pausa, o tom carregando uma teimosia de criança velha:
— Assim a minha neta obediente vai saber o quanto o avô dela a valoriza.
Tereza Viana olhou para o estado dele, e uma sensação de calor surgiu em seu coração.
Ela se sentou de frente para ele e disse sorrindo:
— Como o senhor sabe que é neta?
Charles acenou com as mãos e disse com certeza:
— Com certeza é neta.
Tereza Viana sorriu e não discutiu mais.
O mordomo se aproximou com o café da manhã e o colocou na frente dela.

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