Capítulo 14: Meus pensamentos são dela
Rafael
Eu acordei antes do sol nascer, o corpo ainda carregado da noite anterior. O beijo com Laura não saía da minha cabeça, o gosto dela, o jeito como ela se entregou, o tremor sutil quando minhas mãos tocaram sua cintura. Fiquei deitado na cama olhando para o teto, o peito apertado de uma forma que eu não sentia há anos. Não era só desejo. Era algo mais profundo, mais perigoso. Eu estava viciado nela.
Levantei, tomei banho frio para tentar clarear a mente, vesti um terno azul escuro e desci para a cozinha. Era sexta-feira. Agenda cheia: reunião com investidores às nove, almoço com acionistas, chamada com a filial de Londres. Mas pela primeira vez em anos, eu pensava em cancelar tudo. Em fechar a agenda e levar Enzo e Laura para um passeio no sábado. Talvez Central Park, patinar no gelo. Algo simples. Algo que mostrasse a ela que eu não era só o bilionário frio da mansão.
Entrei na cozinha e lá estava ela. Laura, de costas para mim, cortando frutas para Enzo. Cabelo preso no coque bagunçado, blusa branca solta, jeans abraçando as curvas que eu toquei ontem à noite. Meu corpo reagiu imediatamente o sangue acelerou, o desejo subiu como fogo. Ela não me viu chegar. Eu me aproximei devagar, parando atrás dela.
— Bom dia — murmurei perto do ouvido dela, voz baixa para não acordar ninguém.
Ela congelou por um segundo, depois virou o rosto. Os olhos castanhos encontraram os meus, e um sorriso tímido surgiu nos lábios.
— Bom dia — sussurrou ela, corando.
Eu não resisti. Coloquei as mãos na cintura dela por trás, puxando-a levemente contra mim. O corpo dela se encaixou perfeitamente, quente e macio. Enterrei o rosto no pescoço dela, inalando o cheiro de lavanda e pele. Beijei de leve a curva do ombro, sentindo ela estremecer.
— Você não saiu da minha cabeça desde ontem — confessei, a voz rouca contra a pele dela.
Ela virou o rosto um pouco mais, os lábios roçando os meus.
— Nem você dos meus.
O beijo veio rápido, urgente, roubado. Minha língua encontrou a dela, e o mundo desapareceu. As mãos dela subiram para o meu peito, agarrando a camisa do terno. Eu a prendi contra a bancada, aprofundando o beijo, uma mão subindo para o cabelo dela, soltando o coque. Os fios caíram pelos ombros, e eu enrolei os dedos neles, puxando de leve. Ela gemeu baixinho na minha boca, e aquele som me deixou louco.
Eu queria mais. Queria levantá-la na bancada, tirar a blusa dela, sentir cada centímetro da pele que eu só imaginei ontem. Mas ouvi passos leves no corredor, Enzo ou a Elena. Eu me afastei devagar, respirando pesado, os olhos escuros fixos nos dela.
— Hoje é sexta-feira — falei, voz ainda rouca. — Amanhã... Eu posso fechar a agenda. Levar você e Enzo para um passeio. Algo simples. Só nós três.
Os olhos dela brilharam, surpresos e felizes.
— Sério?
— Sério. Central Park, ou onde você quiser. Quero ver você sorrir assim mais vezes.
Ela sorriu, mordendo o lábio inferior. Meu polegar roçou ali, traçando o contorno.
— Eu adoraria.
Enzo entrou correndo, esfregando os olhos.
— Papai! Laura! Café!
Eu me afastei dela rápido, mas não antes de dar um beijo rápido na testa dela, sutil, inocente para quem visse. Ela corou de novo, virando para servir o prato do menino.
O dia passou em uma névoa. Reuniões, números, decisões. Mas minha mente estava nela. No beijo roubado na cozinha. No jeito como ela se entregava, mas com uma hesitação sutil que eu comecei a notar. Como se tivesse medo de errar. Como se não soubesse o quanto era perfeita.
Cheguei em casa mais cedo do que o normal, por volta das sete. Elena já tinha levado Enzo para o banho. Laura estava na sala de brinquedos, arrumando os Legos sozinha. Quando me viu, levantou rápido, o rosto iluminando.
— Você voltou cedo.
— Não aguentei esperar — respondi, fechando a porta atrás de mim.
Eu a beijei devagar, doce.
— Vamos devagar. Eu vou te levar à loucura primeiro. Muitas vezes. — ela riu com minha promessa. — E vou esperar, o tempo que precisar, até você se sentir segura. E quando chegar a hora… vai ser especial. Eu prometo.
Ela sorriu, aliviada, e me beijou de volta, mais confiante.
Eu a abracei forte, sentindo o corpo dela relaxar contra o meu.
Mas enquanto a segurava, uma ideia surgiu na minha mente: uma viagem. Algo para mostrar a ela que eu estava falando sério, que ela era especial pra mim e eu esperaria o tempo que precisasse.
Minha mente pipocou de ideias, mas uma ardeu em meu coração. Eu poderia levá-la à Itália, a terra da minha família. Jato particular, sem problemas com imigração. Enzo e a Elena junto, mas um momento só nosso em Veneza.
Eu sorri contra o cabelo dela.
— Estava aqui pensando... — comecei e ela me encarou. — Em te levar a um lugar, nas próximas semanas. O que acha?
— Que lugar? — Ela perguntou curiosa.
— Você vai ver. Mas vai ser inesquecível.
Ela riu baixinho, e eu a beijei de novo. Sentindo o corpo dela reagir ao meu, enquanto o meu gritava pelo dela.
E perdido naquele nosso momento, um pensamento me atingiu.
E se eu não conseguir esperar até lá… e estragar tudo com minha própria impaciência?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Babá do Herdeiro: Paixão com o Bilionário
não cosegui ler...