Francine colocou o último prato sobre a mesa e se preparava pra recuar discretamente, quando ouviu a voz grave atrás de si:
— Você é nova aqui?
Ela congelou. Respirou fundo.
“Não vira. Não sorri. Não entrega.”
— Não, senhor — respondeu sem inflexão, quase sussurrando.
Dorian girou lentamente o talher nos dedos.
— Engraçado. Tenho a impressão de já ter te visto antes. Em algum lugar… mais interessante.
Ela manteve os olhos fixos no chão.
“Calma. Respira. Você treinou pra isso.”
A voz saiu baixa, firme o suficiente:
— Talvez em outra vida.
Dorian arqueou a sobrancelha.
Resposta espirituosa para alguém que mal falava.
— E você sorri nessa vida… ou só na outra?
Francine engoliu seco. O coração batia no pescoço.
Mas ela se virou apenas o necessário para fazer uma reverência contida.
— Posso me retirar, senhor?
Dorian apoiou o cotovelo na mesa e deixou os dedos tocarem os lábios, como quem pensava.
— Ainda não. Fica mais um pouco. Quem sabe você me arranca um sorriso... ou eu arranco um seu.
Ela se obrigou a manter o rosto neutro, sem trincar a mandíbula.
Tinha dançado no colo desse homem.
Mas agora ele era seu patrão.
Francine inclinou ligeiramente a cabeça, como quem aceitava o jogo, sem dar nenhuma ficha.
Mas não sorriu.
Dorian a observou por longos segundos.
Nem um músculo.
Nem um tremer de canto de boca.
Nada.
Ela recolheu parte da bandeja e saiu da sala em silêncio, passos suaves, quase leves demais pra uma funcionária comum.
Dorian recostou-se na cadeira, mais intrigado do que nunca.
— Se essa mulher resistiu a isso… Ou ela me odeia... Ou é muito, mas muito boa no que faz.
Francine entrou na cozinha como quem escapou de um interrogatório da CIA.
Fechou a porta com a bunda, encostou-se nela e desabou o corpo, deslizando até o chão com um suspiro longo, dramático e totalmente merecido.
— Eu. Vou. Morrer.


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