Francine parou de pular na hora.
As palavras de Elias ecoaram na cabeça dela como sirenes de alerta: “Dessa vez, você não vai escapar.”
Precisava de um plano, e rápido.
Sem pensar muito, Francine tentou convencer Elias a entrar no jogo dela.
— Faz o que combinamos, Elias. É só pular a câmera da entrada da cozinha. Se ele perguntar, você diz que não tava funcionando, deu defeito, o arquivo corrompeu, caiu um raio, passou um espírito, inventa qualquer coisa!
Elias girou devagar na cadeira, olhando pra ela com um cansaço que vinha da alma.
— Sai daqui, Francine. E só volte quando tiver um pão de queijo com goiabada pra mim.
Ela juntou as mãos como se estivesse agradecendo um milagre.
— Você vai ganhar até dois.
Saiu correndo da sala com um sorriso enorme no rosto, mas o coração ainda acelerado.
Ela tinha escapado. Por enquanto.
Dorian entrou em seu quarto e jogou o paletó sobre a poltrona com mais força do que gostaria.
Abriu a camisa devagar, foi até o banheiro e ligou o chuveiro quente.
A água escorria pelos ombros enquanto os pensamentos se misturavam como um filme acelerado.
As imagens. A mulher de vermelho. O caminho lateral. A entrada da cozinha.
Ele levou as mãos ao rosto, molhando os cabelos para trás.
— Isso tá óbvio demais... Eu que não quero acreditar que fui feito de idiota assim.
Saiu do banho ainda imerso na tensão.
Vestiu uma roupa mais leve, passou as mãos pelos cabelos úmidos e desceu até o escritório.
No caminho, cruzou com a governanta e disse sem expressão:
— Denise, me avise assim que o jantar estiver pronto.
Enquanto isso, na cozinha, o clima era bem diferente.
Francine tentava manter a pose, mas andava de um lado pro outro como uma barata tonta.
Malu, já mais tranquila, cortava legumes com precisão militar.
— Dessa vez, você que serve o jantar. Não vou te dar essa mãozinha de novo.
— Poxa, Malu...
— Nem vem, Francine. Assume seus BO.
O jantar ficou pronto rápido demais pro gosto de Francine.
O carrinho com os pratos fumegantes foi montado.
A bandeja de entrada, o prato principal, e claro... o vinho favorito de Dorian.
Ela suspirou como quem caminha para o abatedouro.
— Tá, tá. Eu vou. Mas se eu sumir amanhã, você já sabe onde procurar meu corpo.
— No quarto do senhor Dorian? — Malu segurou o riso enquanto abria caminho pra ela.
Francine ajeitou o cabelo, abaixou a cabeça e empurrou o carrinho até a sala de jantar.

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