Dorian entrou no quarto como uma tempestade, a porta se fechando com um estrondo que ecoou pelos corredores da mansão. O som seco da madeira batendo contra o batente parecia traduzir sua fúria.
Largou o celular sobre a cômoda com um gesto brusco, tão forte que a tela chegou a trincar.
Cada músculo do seu corpo estava tensionado, a respiração pesada, como se tivesse corrido uma maratona mas, na verdade, era o coração que o traía, martelando sem piedade contra o peito.
Sem pensar, arrancou o paletó dos ombros e o atirou num canto, depois puxou a gravata de modo quase violento, o nó resistindo ao primeiro puxão, o que apenas alimentou ainda mais a raiva.
Precisava de um escape, qualquer coisa que desse vazão ao turbilhão dentro dele.
Caminhou até o banheiro, tirando as roupas com movimentos impacientes, e fechou-se sob o jato do chuveiro, a água quente caindo sobre sua pele sem que ele ao menos sentisse.
Mas a água não lavava nada.
A imagem voltava inteira, nítida demais, como se estivesse gravada em fogo: o carro se aproximando da mansão, o coração dele acelerando ao reconhecer a silhueta de Francine imprensada contra a pilastra.
Mas, então, havia aquele homem com ela. Viu quando ele tocou o rosto dela, como se fosse íntimo, como se tivesse esse direito.
E antes que conseguisse racionalizar, o golpe veio. O beijo.
Dorian apertou os olhos, os punhos cerrados, e socou a parede de mármore do box, o impacto reverberando até o ombro.
Não sentiu dor. Só raiva. Uma raiva surda, sufocante, que queimava por dentro como se fosse destruir tudo.
Era como se uma faca tivesse atravessado seu peito.
Ele já sabia, a pulseira fora a primeira prova de que Francine escondia alguém, mas seu coração estúpido, enganador, insistiu em acreditar no contrário.
Agora não havia margem para dúvidas. Os olhos não mentiam.
Ela estava beijando outro homem, ali, diante da mansão, como se quisesse que ele visse. Como se estivesse rindo dele.
Brincando com ele.
Ele, Dorian Villeneuve, um CEO que jamais precisou de ninguém, estava sendo manipulado por uma empregada.
E não desde hoje. Desde o início.
Quando ela se infiltrou em sua festa. Quando sumiu com as imagens das câmeras. Quando convenceu Denise a apagar seu nome da lista.
Sempre dissimulada, sempre jogando.
A água escorria pelo seu rosto, mas não apagava o ódio. Dorian saiu do banheiro ainda em fúria, o corpo latejando com a necessidade de explodir de vez.
Por um instante, seus punhos cerrados coçaram para jogar algo contra a parede, destruir o primeiro objeto que estivesse à sua frente, apenas para aliviar a pressão sufocante que queimava em seu peito.
Mas não podia. Não ele. Não o homem que construiu um império baseado na disciplina, no controle e na imagem impecável que projetava ao mundo.
Ceder seria admitir que ela tinha conseguido quebrá-lo e isso, jamais.

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