Dorian ergueu os olhos lentamente, como se fosse um esforço arrancado de dentro dele.
O olhar, carregado e sombrio, encontrou o dela, e Francine sentiu o corpo inteiro arrepiar.
— Dorian… — sua voz saiu frágil, quase um sussurro, mas cheia de urgência. — Eu preciso conversar com você.
Ele fechou o maxilar, a respiração pesada.
— Não tenho nada pra falar com você, Francine. Vai embora.
Ela deu um passo hesitante.
— Eu sei o que você viu… mas você entendeu errado. E eu preciso te explicar.
Num movimento brusco, Dorian se levantou, o banco rangendo atrás dele. O grito veio como um trovão.
— Eu não quero explicações!
O corpo dele avançou na direção dela, predatório, como um leão encurralando a presa.
Francine recuou instintivamente, mas ele não a tocou. Não precisava. A fúria transbordava em cada músculo, em cada linha do rosto contraído.
— Eu te falei, Francine! — a voz dele ecoou no terraço. — Ontem! Não foi há um mês, nem há um ano… foi ontem! E você já se esqueceu?
Ela ficou paralisada. Nunca o tinha visto perder o controle daquela forma.
Ele respirou fundo, mas a voz continuou a cortar o ar como uma lâmina.
— Eu te disse ontem, aqui nesse terraço, que quando percebo que alguém pode me machucar, a primeira coisa que faço é me afastar. Mas você não me deu essa oportunidade. Você insistiu… você prometeu… e… você mentiu pra mim!
— Eu não menti! — a defesa dela saiu urgente, embargada.
— Mentiu sim! — o dedo dele quase a tocava, acusador. — E não esperou um dia sequer pra esfregar na minha cara que tinha outro.
— Dorian, você está bêbado, não sabe o que está dizendo.
Ele riu, um som amargo, frio.
— Eu sei exatamente o que meus olhos viram. E eles viram você aos beijos na frente da minha mansão… como se fizesse questão que eu visse!
— Eu não estava aos beijos! — a voz dela quebrou. — Ele me agarrou!
A gargalhada dele foi ainda mais cruel.
Dorian virou as costas, caminhando até o bar como se afastar-se dela fosse a única maneira de não explodir ainda mais.
Serviu-se de outro copo, sem olhar para trás.
— E você acha que eu vou cair nessa? — a voz dele veio carregada de desprezo. — Foi ele quem te deu a pulseira, não foi? Acha que eu não percebi? Eu poderia te dar muito mais que isso!
Francine sentiu o estômago revirar.
— Eu só estava usando porque pensei que fosse um presente seu! Se soubesse que era dele… nunca teria aceitado!
Ele bateu o copo no balcão com tanta força que o som ecoou no silêncio do terraço.
— Mentira! — cuspiu a palavra. — Você é uma mentirosa! Sai da minha frente, Francine! Não quero ver mais você aqui.
Ela tentou se aproximar, mas a expressão dele se fechou num muro intransponível.
— Me deixa em paz! — o tom foi baixo, mas mortal. — Antes que eu transforme a sua vida num inferno.

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