O táxi freou diante do aeroporto ainda envolto na penumbra suave do amanhecer.
O coração de Francine batia descompassado, e, por um instante, ela ficou imóvel, encarando o reflexo do vidro da janela como se ainda pudesse recuar.
Mas a lembrança da noite anterior veio como uma lâmina: a espera arrastada pelo pagamento, o instante em que a demora abriu espaço para que Natan se impusesse, como sempre fazia, deixando atrás de si um rastro de medo e vergonha.
A raiva subiu quente em sua garganta.
Ela puxou a carteira com firmeza, tirou uma nota e, quando o motorista abaixou a mão para pegar o troco, ela apenas balançou a cabeça.
— Pode ficar — disse seca, sem olhar para trás.
Bateu a porta com força e, com passos decididos, avançou rumo ao saguão.
O ar frio do aeroporto lhe atingiu o rosto, mas, em vez de gelar, trouxe uma estranha sensação de liberdade.
Aproximou-se do balcão de atendimento com a pressa de quem não pode se dar ao luxo de hesitar.
— Quero a próxima passagem para a França. — Sua voz não tremeu, embora as mãos estivessem geladas.
A atendente ergueu os olhos, surpresa com a urgência.
— Senhorita, o próximo voo parte em uma hora e meia. Vai ser apertado para o embarque.
Francine apoiou as duas mãos no balcão, inclinando-se levemente para frente.
— Não tem problema. Pode ser esse mesmo.
Efetuou o pagamento e sentiu como se cada toque no teclado da máquina reduzisse não apenas sua conta bancária, mas também as margens de sua segurança.
Ao receber a passagem, o estômago se contraiu ao perceber: metade da reserva tinha acabado de sumir.
— Tem alguma loja de penhores aqui no aeroporto? — perguntou, mordendo o lábio inferior.
A atendente, sem perceber a turbulência por trás da postura firme de Francine, respondeu naturalmente:
— Tem sim, perto do portão de embarque. Aqui está sua passagem.
Francine agradeceu com um aceno breve e seguiu pelo saguão. O coração estava tão apertado que ela mal sentia o chão sob os pés.
O anúncio ecoou: “Passageiros do voo para Paris, favor dirigir-se ao portão de embarque.”
Francine caminhou até lá com as pernas bambas, mas sem diminuir o passo.
Ao entrar no avião, sentiu o ar rarefeito da cabine e, quando as portas se fecharam, um nó se desfazia dentro dela.
O avião começou a se mover pela pista, e o sol, já mais alto, derramava um brilho dourado sobre os vidros do aeroporto.
Sentou rapidamente, afundando-se na poltrona. As mãos ainda apertavam o guia de francês, mas os olhos marejados já não conseguiam acompanhar as palavras.
Uma lágrima escorreu lenta, queimando sua pele.
— Au revoir… — sussurrou, a voz embargada.
Era um adeus. À cidade. À vida que deixava para trás.
E, talvez, ao homem que ela ainda desejava ver surgir de repente, correndo contra o tempo para resgatá-la. Mas o assento ao lado permaneceu vazio.

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