Por alguns minutos, Dorian apenas encarou o envelope como se fosse uma bomba prestes a explodir.
Parte dele queria ignorar, outra queria rasgar tudo em pedaços sem sequer olhar.
Mas o papel sobre o travesseiro parecia zombar dele, um desafio silencioso que atiçava ainda mais sua fúria.
Com um movimento brusco, ele abriu o envelope. Dentro, um bilhete… e um pendrive.
— Que merda é essa agora? — rosnou, apertando o objeto entre os dedos.
Conectou o pendrive ao notebook, e só então leu o bilhete.
“Já que você só acredita no que seus olhos veem, vê se assiste essa merda com os olhos bem abertos. Se não acreditar nos seus olhos, ouça o áudio e acredite nos seus ouvidos.”
Seu coração disparou, os músculos do maxilar se contraíram.
Ele clicou no arquivo de vídeo, e o ar pareceu sumir dos pulmões.
Francine.
Sendo empurrada com violência contra uma pilastra.
O áudio estava desligado, mas não havia dúvida: o corpo dela estava tenso, os olhos arregalados, a resistência clara.
Dorian estremeceu ao ver Natan tapando a boca dela, sussurrando algo que a deixou paralisada de pavor.
E então, o beijo forçado, invasivo, repulsivo.
Não havia mais margem para interpretações.
O sangue de Dorian ferveu. Os dedos tremiam sobre o teclado, e a raiva ardia como fogo sob a pele.
Voltou o vídeo e, desta vez, ligou o áudio.
A cada palavra de Natan, a resposta atravessada de Francine, seu peito parecia se comprimir.
E quando ouviu a ameaça velada, “amanhã eu volto para te buscar”, sentiu como se uma faca tivesse atravessado seu coração.
O peso da culpa caiu sobre ele com violência.
Antes, doía a raiva que sentia dela. Agora, doía mil vezes mais… mas contra si mesmo.
— Mas que caralho, Dorian… — murmurou, a voz embargada, os olhos ardendo.
Dorian sentiu o corpo gelar, o estômago revirar e o coração disparar como se tivesse corrido uma maratona.
Cada cena que vira no vídeo parecia martelar em sua mente, mas o que o sufocava ainda mais era lembrar do que havia dito a Francine na noite anterior.
Palavras duras, cruéis, cuspidas no calor da raiva. Agora soavam como um eco imbecil, um erro que ele jamais conseguiria apagar.
“Você é uma mentirosa”
O insulto se repetia em sua memória como uma acusação contra ele mesmo.

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