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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 108

Dorian largou a carta sobre a escrivaninha com força, como se o papel tivesse queimado sua pele.

— Porra, Francine… precisava mesmo ser tão drástica? — murmurou, o maxilar travado.

Denise, que estava próxima, ergueu o rosto com uma mistura de cautela e curiosidade.

— Dorian, o que exatamente você fez a essa menina?

Ele soltou um riso curto, amargo.

— Nada. Fui um idiota, só isso.

Passou as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos que teimavam em se atropelar.

O peso do silêncio o sufocava até que, de repente, uma lembrança surgiu: o dia em que encontrou Francine na cidade, almoçando com uma colega.

Virou-se para Denise, num impulso.

— Aquela amiga dela… como era mesmo o nome? Você sabe em que setor ela trabalha?

A governanta pensou por um instante.

— Se for a Malu, ela trabalha na cozinha.

— Isso! Malu! Eu lembro dela falar esse nome! — os olhos dele brilharam por um instante, como quem enxerga uma brecha na escuridão. — Obrigado, Denise, você é um anjo!

Antes que ela pudesse responder, ele se inclinou e depositou um beijo rápido na testa da governanta.

Saiu em passos largos, com a pressa de alguém que acabara de encontrar um fio de esperança.

Sozinha, Denise ficou olhando a porta ainda aberta, o coração apertado.

Sussurrou baixinho, quase para si mesma:

— Ah, Francine… se você soubesse o quanto esse homem está diferente por sua causa…

Dorian entrou na cozinha como um furacão, fazendo Malu quase derrubar a panela que tinha nas mãos.

— Malu! Eu preciso que me diga pra onde a Francine foi! — a voz dele saiu desesperada, carregada de um medo que mal conseguia disfarçar.

A jovem levou alguns segundos para se recompor do susto, mas quando finalmente falou, sua voz estava firme, sem vacilar.

— Com todo respeito, senhor Dorian… mas por que eu faria isso? O senhor foi o motivo dela ter ido embora. No momento em que ela mais precisava, o senhor a acusou, a reduziu a nada mais que lixo. — os olhos dela brilharam de indignação. — Mesmo que eu soubesse, não contaria. Até porque foi exatamente isso que ela me pediu: que eu não dissesse nada.

Malu virou-se de costas para ele, voltando para a pia.

O som da água da torneira correndo pareceu preencher o silêncio pesado que se instalou.

Dorian, sem forças para sustentar a própria postura, puxou uma cadeira e se sentou à mesa da cozinha.

Ele se aproximou um passo, os olhos carregados de súplica, diferente do homem frio e calculista que ela conhecia.

— Eu imploro, Malu. É a única chance que tenho de descobrir pra onde ela foi.

Ela suspirou, contrariada, e saiu em direção ao quarto.

O tempo que passou lá dentro pareceu uma eternidade para ele, cada segundo aumentando a angústia que já o corroía.

Dorian permanecia sentado à mesa da cozinha, os dedos tamborilando contra a madeira, como se a espera fosse insuportável.

Quando Malu retornou, trazia o cenho franzido.

— Não encontrei nada. Revirei cada canto, mas o convite não está lá.

Por um instante, o ar ficou pesado.

Depois, Dorian se endireitou na cadeira, como se uma nova centelha o tivesse despertado.

— Isso significa que ela levou. — A voz dele se quebrou entre esperança e alívio. — Se ela levou o convite, ela vai ao baile.

Um raro sorriso atravessou seu semblante abatido.

— Em dois meses, Malu, eu sei exatamente onde ela vai estar.

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