Dorian largou a carta sobre a escrivaninha com força, como se o papel tivesse queimado sua pele.
— Porra, Francine… precisava mesmo ser tão drástica? — murmurou, o maxilar travado.
Denise, que estava próxima, ergueu o rosto com uma mistura de cautela e curiosidade.
— Dorian, o que exatamente você fez a essa menina?
Ele soltou um riso curto, amargo.
— Nada. Fui um idiota, só isso.
Passou as mãos pelos cabelos, tentando organizar os pensamentos que teimavam em se atropelar.
O peso do silêncio o sufocava até que, de repente, uma lembrança surgiu: o dia em que encontrou Francine na cidade, almoçando com uma colega.
Virou-se para Denise, num impulso.
— Aquela amiga dela… como era mesmo o nome? Você sabe em que setor ela trabalha?
A governanta pensou por um instante.
— Se for a Malu, ela trabalha na cozinha.
— Isso! Malu! Eu lembro dela falar esse nome! — os olhos dele brilharam por um instante, como quem enxerga uma brecha na escuridão. — Obrigado, Denise, você é um anjo!
Antes que ela pudesse responder, ele se inclinou e depositou um beijo rápido na testa da governanta.
Saiu em passos largos, com a pressa de alguém que acabara de encontrar um fio de esperança.
Sozinha, Denise ficou olhando a porta ainda aberta, o coração apertado.
Sussurrou baixinho, quase para si mesma:
— Ah, Francine… se você soubesse o quanto esse homem está diferente por sua causa…
Dorian entrou na cozinha como um furacão, fazendo Malu quase derrubar a panela que tinha nas mãos.
— Malu! Eu preciso que me diga pra onde a Francine foi! — a voz dele saiu desesperada, carregada de um medo que mal conseguia disfarçar.
A jovem levou alguns segundos para se recompor do susto, mas quando finalmente falou, sua voz estava firme, sem vacilar.
— Com todo respeito, senhor Dorian… mas por que eu faria isso? O senhor foi o motivo dela ter ido embora. No momento em que ela mais precisava, o senhor a acusou, a reduziu a nada mais que lixo. — os olhos dela brilharam de indignação. — Mesmo que eu soubesse, não contaria. Até porque foi exatamente isso que ela me pediu: que eu não dissesse nada.
Malu virou-se de costas para ele, voltando para a pia.
O som da água da torneira correndo pareceu preencher o silêncio pesado que se instalou.
Dorian, sem forças para sustentar a própria postura, puxou uma cadeira e se sentou à mesa da cozinha.

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