No dia seguinte, Francine respirou fundo enquanto olhava para a fachada da primeira agência de modelos que tinha anotado no caderno improvisado.
Era um prédio elegante, com portas de vidro e o logo cravejado em dourado.
Ela apertou o book contra o peito, sentindo o peso da insegurança, mas também da determinação.
No balcão, a recepcionista a olhou de cima a baixo, os olhos avaliando cada detalhe.
Francine estufou o peito, tentando parecer confiante, enquanto pensava:
“Se eu não arrasar, pelo menos faço eles se arrependerem de me dispensar”
— Bonjour, je suis Francine… — disse, tropeçando um pouco na pronúncia.
O agente pegou o book e folheou rápido, franzindo a testa.
— Você tem um rosto bonito — disse, em tom seco — mas é só isso. Não vejo potencial em você, ainda mais com esse peso.
Francine engoliu seco, mas já se preparava para a resposta interna:
“Tá, obrigado pelo feedback. Você vai se arrepender de me dispensar, seu abusado.”
— Obrigada — disse, com um sorriso meio torto, e saiu antes que a raiva a engolisse.
Seguiu para a segunda agência, tentando se manter positiva. Outro agente abriu o book, suspirou alto e disse:
— Sua postura é impactante, mas precisa se adequar aos padrões daqui. Tente de novo quando estiver pronta.
Francine respirou fundo, murmurando baixinho: “O padrão de vocês é ser um esqueleto?”
Mesmo com as negativas, ela continuava caminhando de agência em agência, mantendo o humor como escudo.
“Esses idiotas vão me implorar para voltar quando eu estiver desfilando nas maiores semanas de moda do mundo…”
Ao final do dia, já com os pés doloridos e a voz cansada, Francine sentou-se num banco na calçada, observando o vai e vem dos parisienses chiques. Suspirou e sorriu.
— Amanhã a coisa melhora — disse para si mesma, ajeitando o book — e se não melhorar, pelo menos posso rir disso depois.
No dia seguinte, uma agência pequena olhou para ela e disse:
— Hmm… podemos marcar um teste, mas só se perder uns quilos.
Francine piscou para a recepcionista e pensou:
“Ah, finalmente alguém com bom senso. Pelo menos eles reconhecem meu potencial antes de me desprezar totalmente.”
No último dia da semana, Francine decidiu encarar duas agências de uma vez.
— Relaxa, Malu. Eu vou conseguir. Não precisa se preocupar.
A conversa continuou por mais alguns minutos, e Francine tentou manter o tom leve, mas quando desligou o telefone, a realidade da solidão bateu com força.
O quarto silencioso parecia maior, as paredes mais altas, e o medo que ela vinha ignorando durante a semana agora se instalou com força.
Sentada na cama, abraçando as pernas contra o peito, Francine sentiu o frio do chão contra os pés descalços e o vazio da cidade ao redor.
A adrenalina e a diversão dos dias anteriores haviam sumido; sobraram apenas cansaço, medo e a consciência de que nada cairia do céu.
Ela fechou os olhos por alguns segundos, respirou fundo, e decidiu que não tinha escolha.
— Tudo bem… — murmurou para si mesma. — Qualquer serviço que aparecer… eu faço. Pelo menos até conseguir alguma agência.
A determinação voltou aos poucos, misturada ao medo, como uma chama incerta que precisava se manter acesa.
Ela sabia que aquele fim de semana seria um teste real de resistência, não só da carreira que desejava, mas da própria coragem de se manter firme em uma cidade estranha, longe de tudo que conhecia e de quem amava.
E com isso, Francine se levantou, preparou o quarto para a noite e começou a fazer uma lista mental de todas as possibilidades de trabalho temporário que poderia tentar no dia seguinte.
A batalha em Paris estava apenas começando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras