Enquanto Francine tentava se estabelecer em Paris, batendo de porta em porta em busca de uma agência, Dorian descobria que viver sem a presença dela era como caminhar em um deserto interminável.
Cada manhã parecia mais árida, cada noite mais longa.
A esperança de reencontrá-la no baile da Montblanc, dali a dois meses, era o único fio que ainda o mantinha focado.
Naquela manhã, sentado à cabeceira da longa mesa de reuniões, ele se esforçava para manter a postura.
Executivos falavam de gráficos, projeções e parcerias, mas nada parecia fixar-se em sua mente.
— Com esse reajuste no câmbio, podemos aumentar a margem de exportação em pelo menos cinco por cento — disse um deles, empolgado.
Dorian assentiu mecanicamente, mas sua atenção já havia se dispersado.
Seus olhos haviam parado no centro da sala, onde, sob um domo de vidro, repousava a máscara que Francine usara no baile que dera início a tudo.
Um detalhe decorativo, colocado ali por iniciativa dele mesmo, que para qualquer outro funcionário significava apenas um objeto de decoração.
O coração acelerou. A lembrança de Francine deslizando pelo salão com aquela máscara o atingiu em cheio.
E junto veio a lembrança amarga: o instante em que a vira ser agarrada por um homem na frente da mansão.
Ele fechou as mãos sobre a mesa, forçando os dedos até quase doer, enquanto tentava manter o semblante neutro diante dos olhares atentos da diretoria.
— Senhor Villeneuve, está de acordo com o relatório? — um executivo perguntou.
Dorian demorou um instante a processar a fala, mas respondeu com frieza:
— Sigam com o planejamento.
A reunião seguiu, mas Dorian já não ouvia nada. O estômago revirava.
Era como se todos à mesa estivessem observando a mesma peça exposta, sem imaginar que ali dentro estava concentrado o resto da sua sanidade.
Assim que a reunião terminou, Cássio o alcançou no corredor.
— Dorian, o que tá acontecendo? Você estava em outro mundo — comentou, mantendo a voz baixa. — Não ouviu uma palavra do que foi discutido, ouviu?
Dorian o encarou, cansado.
— E daí? Que diferença faz?
— Faz muita diferença, Dorian. Você não pode se desligar da empresa nesse ponto. — Cássio hesitou um segundo. — Ainda é por causa dela, não é?
O nome de Francine não precisou ser dito. Estava implícito na tensão do ar.
Dorian suspirou fundo.
— Não é só por causa dela. É pelo maldito sujeito que a tocou naquela noite. Eu devia ter feito alguma coisa, Cássio.


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