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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 111

Enquanto Francine tentava se estabelecer em Paris, batendo de porta em porta em busca de uma agência, Dorian descobria que viver sem a presença dela era como caminhar em um deserto interminável.

Cada manhã parecia mais árida, cada noite mais longa.

A esperança de reencontrá-la no baile da Montblanc, dali a dois meses, era o único fio que ainda o mantinha focado.

Naquela manhã, sentado à cabeceira da longa mesa de reuniões, ele se esforçava para manter a postura.

Executivos falavam de gráficos, projeções e parcerias, mas nada parecia fixar-se em sua mente.

— Com esse reajuste no câmbio, podemos aumentar a margem de exportação em pelo menos cinco por cento — disse um deles, empolgado.

Dorian assentiu mecanicamente, mas sua atenção já havia se dispersado.

Seus olhos haviam parado no centro da sala, onde, sob um domo de vidro, repousava a máscara que Francine usara no baile que dera início a tudo.

Um detalhe decorativo, colocado ali por iniciativa dele mesmo, que para qualquer outro funcionário significava apenas um objeto de decoração.

O coração acelerou. A lembrança de Francine deslizando pelo salão com aquela máscara o atingiu em cheio.

E junto veio a lembrança amarga: o instante em que a vira ser agarrada por um homem na frente da mansão.

Ele fechou as mãos sobre a mesa, forçando os dedos até quase doer, enquanto tentava manter o semblante neutro diante dos olhares atentos da diretoria.

— Senhor Villeneuve, está de acordo com o relatório? — um executivo perguntou.

Dorian demorou um instante a processar a fala, mas respondeu com frieza:

— Sigam com o planejamento.

A reunião seguiu, mas Dorian já não ouvia nada. O estômago revirava.

Era como se todos à mesa estivessem observando a mesma peça exposta, sem imaginar que ali dentro estava concentrado o resto da sua sanidade.

Assim que a reunião terminou, Cássio o alcançou no corredor.

— Dorian, o que tá acontecendo? Você estava em outro mundo — comentou, mantendo a voz baixa. — Não ouviu uma palavra do que foi discutido, ouviu?

Dorian o encarou, cansado.

— E daí? Que diferença faz?

— Faz muita diferença, Dorian. Você não pode se desligar da empresa nesse ponto. — Cássio hesitou um segundo. — Ainda é por causa dela, não é?

O nome de Francine não precisou ser dito. Estava implícito na tensão do ar.

Dorian suspirou fundo.

— Não é só por causa dela. É pelo maldito sujeito que a tocou naquela noite. Eu devia ter feito alguma coisa, Cássio.

“Você tirou ela de mim”, pensou, os punhos cerrados. “Eu vou tirar tudo de você.”

Quando o elevador parou no último andar, Dorian já havia retomado a postura impecável.

Passou pela secretária sem olhar, mas sua voz cortou o silêncio do corredor:

— Preciso do contato de um investigador particular. Discreto. Me traga ainda hoje.

Ela apenas assentiu, já ciente de que não havia espaço para perguntas.

Horas depois, enquanto a noite caía sobre a cidade, o celular vibrou com a notificação de Elias. Um pacote de vídeos e capturas de tela chegava

diretamente em sua caixa de entrada.

Entre os arquivos, a imagem nítida de uma placa refletia sob as luzes da mansão.

Dorian não perdeu tempo. Encaminhou o material para o contato recém-obtido do investigador e digitou, com a calma calculada de quem já decidira o rumo das coisas:

“Descubra tudo que puder sobre essa pessoa. Quem é, onde mora, o que faz da vida, antecedentes criminais, qualquer coisa que possa ser usado contra ele. O mais rápido possível.”

Ele recostou-se na poltrona, observando o reflexo do próprio rosto no vidro escuro da janela. Um leve sorriso se formou, frio, sem alegria.

“Que os jogos comecem.”

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