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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 112

Francine acordou com um peso no peito. O visor do celular brilhava em vermelho: saldo quase zerado.

Ela suspirou fundo, empurrou o lençol e encarou o teto do quarto do hotel como se ele pudesse oferecer uma solução milagrosa.

Nada.

— Café da manhã primeiro, drama depois — murmurou para si mesma, descendo até o saguão.

Engoliu rápido um croissant murcho e um café forte demais.

Quando saiu à rua, o frio da manhã parisiense a atingiu como um choque de realidade.

Ela fechou o casaco e respirou fundo.

— Vamos lá, Francine. Hoje você vira adulta de verdade.

Com a cara e a coragem, começou a entrar em lojinhas, padarias e cafeterias.

Um sorriso aqui, um “bonjour” mal pronunciado ali, sempre seguida de um “não, já estamos completos” ou de olhares que nem se davam ao trabalho de responder.

Horas se passaram. O estômago roncava alto, implorando por misericórdia.

Foi então que ela avistou uma cafeteria aconchegante na esquina. As mesinhas na calçada estavam ocupadas, clientes riam e conversavam.

Parecia um bom lugar para finalmente descansar e comer alguma coisa.

Francine deu o primeiro passo rumo à porta e, como se fosse cena de filme, um funcionário saiu bufando, arrancando o avental e jogando no chão.

— Merde! — xingou ele, indo embora sem olhar para trás.

O dono da cafeteria correu atrás:

— Jean! Attends! On peut parler!

Mas Jean desapareceu na rua, deixando o homem parado na porta, a cafeteria lotada atrás dele.

Francine ergueu a mão como quem se oferece para segurar a bandeja de alguém no metrô, forçando o melhor francês que conseguiu:

— Eu tô vendo que você precisa de um funcionário novo… e eu de um emprego. Olha só que coincidência maravilhosa!

O dono a olhou de cima a baixo, franzindo o cenho.

— Você já trabalhou como garçonete?

Francine sorriu daquele jeito meio sem-vergonha:

— Eu já servi muito café… para uma pessoa só. — disse, lembrando-se de quantas vezes havia feito exatamente a mesma coisa para Dorian.

Ele suspirou, massageando as têmporas. A fila de clientes crescia. Ele não tinha escolha.

Pegou o avental abandonado do chão, sacudiu, e entregou para ela.

— Mostre-me do que é capaz.

Francine vestiu o avental como quem acabava de ganhar uma coroa.

— Pode deixar, chefe.

O resto do dia foi um caos delicioso.

No balcão, uma senhora pediu um café au lait.

Francine sorriu, confiante:

— Apareça amanhã.

Francine agarrou o tecido contra o peito como se fosse o contrato dos sonhos.

— Prometo que amanhã vou ser menos desastrada e mais francesa.

Quando voltou para o hotel naquela noite, estava exausta, mas diferente. O corpo doía, os pés latejavam, mas havia uma chama acesa no peito.

Sentada na cama, ligou para Malu em vídeo. A amiga atendeu na cozinha, enxugando as mãos rapidamente em um pano de prato.

— Menina, você tá viva! — exclamou. — E com essa cara de quem correu uma maratona.

Francine ergueu o avental diante da câmera como se fosse um troféu.

— Primeira conquista em Paris: um emprego que eu arranquei do destino.

— E qual é?

— Garçonete. Eu errei bastante com meu francês meia boca, quase derramei café em um cliente, mas no fim eles sorriram. Acho que riram de mim, mas… riram.

Malu gargalhou.

— Se riram, é sucesso.

— Sim. O que importa é que pelo menos o teto seguro tá garantido. Acho que vou acabar alugando um quarto em algum lugar, não vou conseguir ficar nesse hotel por muito tempo.

— Vai dar tudo certo, amiga. Você vai dar a volta por cima.

Depois de desligar, Francine adormeceu com um sorriso.

Talvez não fosse Paris da forma que ela tinha sonhado. Mas era Paris, do jeito que a cidade tinha escolhido recebê-la.

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