Francine acordou com um peso no peito. O visor do celular brilhava em vermelho: saldo quase zerado.
Ela suspirou fundo, empurrou o lençol e encarou o teto do quarto do hotel como se ele pudesse oferecer uma solução milagrosa.
Nada.
— Café da manhã primeiro, drama depois — murmurou para si mesma, descendo até o saguão.
Engoliu rápido um croissant murcho e um café forte demais.
Quando saiu à rua, o frio da manhã parisiense a atingiu como um choque de realidade.
Ela fechou o casaco e respirou fundo.
— Vamos lá, Francine. Hoje você vira adulta de verdade.
Com a cara e a coragem, começou a entrar em lojinhas, padarias e cafeterias.
Um sorriso aqui, um “bonjour” mal pronunciado ali, sempre seguida de um “não, já estamos completos” ou de olhares que nem se davam ao trabalho de responder.
Horas se passaram. O estômago roncava alto, implorando por misericórdia.
Foi então que ela avistou uma cafeteria aconchegante na esquina. As mesinhas na calçada estavam ocupadas, clientes riam e conversavam.
Parecia um bom lugar para finalmente descansar e comer alguma coisa.
Francine deu o primeiro passo rumo à porta e, como se fosse cena de filme, um funcionário saiu bufando, arrancando o avental e jogando no chão.
— Merde! — xingou ele, indo embora sem olhar para trás.
O dono da cafeteria correu atrás:
— Jean! Attends! On peut parler!
Mas Jean desapareceu na rua, deixando o homem parado na porta, a cafeteria lotada atrás dele.
Francine ergueu a mão como quem se oferece para segurar a bandeja de alguém no metrô, forçando o melhor francês que conseguiu:
— Eu tô vendo que você precisa de um funcionário novo… e eu de um emprego. Olha só que coincidência maravilhosa!
O dono a olhou de cima a baixo, franzindo o cenho.
— Você já trabalhou como garçonete?
Francine sorriu daquele jeito meio sem-vergonha:
— Eu já servi muito café… para uma pessoa só. — disse, lembrando-se de quantas vezes havia feito exatamente a mesma coisa para Dorian.
Ele suspirou, massageando as têmporas. A fila de clientes crescia. Ele não tinha escolha.
Pegou o avental abandonado do chão, sacudiu, e entregou para ela.
— Mostre-me do que é capaz.
Francine vestiu o avental como quem acabava de ganhar uma coroa.
— Pode deixar, chefe.
O resto do dia foi um caos delicioso.
No balcão, uma senhora pediu um café au lait.
Francine sorriu, confiante:

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