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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 119

Francine estava sentada à mesa da cozinha, mexendo distraidamente a colher dentro da xícara de café.

O vapor subia, formando espirais que se dissipavam no ar, mas ela quase não percebia.

Havia dormido pouco, com o coração acelerado desde a noite anterior, mas curiosamente sentia-se mais leve.

Um peso antigo parecia ter sido arrancado de seus ombros.

Adele entrou no cômodo com os cabelos já devidamente alinhados, uma verdadeira lady, segurando um pão recém-saído da torradeira.

Ao ver a Francine ali, com um sorriso contido nos lábios, franziu a testa.

— Bon jour… — murmurou, mordendo o pão. — Você está com uma cara diferente hoje. Mais… sei lá, alegre. O que aconteceu?

Francine ergueu os olhos, hesitou por um instante e depois puxou o celular do bolso do robe.

— Você não vai acreditar — disse, deslizando a tela e colocando o aparelho sobre a mesa. — Olha isso.

Adele se inclinou curiosa. O vídeo começou a rodar em silêncio: um homem de terno caro agarrando uma mulher contra a vontade dela, tentando beijá-la à força.

Adele não precisou de muito para reconhecer a moça sendo puxada: os cabelos escuros, os olhos assustados… era Francine.

Adele levou a mão à boca, chocada.

— Mon Dieu! — exclamou. — Esse homem… quem é ele?

Francine suspirou, apoiando o cotovelo na mesa.

— O nome dele é Natan Ferraz. Meu ex-namorado. — O tom da palavra “ex” carregava uma mistura de nojo e rancor. — Ele foi o motivo de eu ter ido embora do Brasil.

— Ex-namorado? — Adele ergueu as sobrancelhas, incrédula. — Você namorava esse… monstro?

— Na época eu não via quem ele realmente era — admitiu Francine, mexendo a colher no café. — Eu trabalhava como modelo, fazia alguns desfiles, campanhas pequenas… foi nesse meio que o conheci. Ele tinha charme, dinheiro, influência. Eu era muito nova, e me deixei levar.

Adele piscou algumas vezes, como se precisasse assimilar a informação.

— Espere aí… modelo? Você nunca me contou isso!

Francine deu um meio sorriso sem graça.

— Pois é. Quando vim para a França, foi em busca de oportunidades como modelo. Mas como não apareceu nada de imediato, acabei arrumando o emprego no café para me sustentar.

Adele apoiou o queixo na mão, ainda surpresa.

— Eu sei preparar refeições saudáveis, equilibradas. Sei montar cardápios que emagrecem sem te deixar fraca. Se é isso que as agências exigem, nós vamos dar um jeito. Você não vai enfrentar isso sozinha.

Por um instante, Francine sentiu o coração se apertar.

A generosidade de Adele era como um bálsamo, mas ao mesmo tempo a ideia de moldar-se até o limite para caber em um padrão injusto a deixava angustiada.

Ainda assim, não teve forças para recusar. Apenas assentiu com um sorriso leve.

— Obrigada, Adele. Eu… eu não sei o que faria sem você.

Adele sorriu de volta e apertou a mão dela sobre a mesa.

— Você não vai mais carregar nada sozinha, d’accord? Nem passado, nem ex-namorado, nem dieta maluca de agência.

Francine ergueu a xícara de café como se fosse um brinde.

— As francesas que me aguardem, porque eu vou chegar lá botando todas no chinelo! A França ainda vai aprender a valorizar um corpo brasileiro de verdade.

Adele caiu na gargalhada e ergueu a própria xícara.

— Voilà! Essa é a energia que eu estava esperando!

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