Naquela semana, Francine parecia ter engolido um motor.
Se antes já era ágil no café, agora ela estava em outro nível. Subia e descia os corredores com as bandejas, sorria para cada cliente e mal tinha tempo para respirar.
Mas, no fundo, adorava aquela sensação de estar sempre em movimento.
— Francine, desacelera um pouco, você vai desmaiar desse jeito! — o patrão ralhou um dia, quando a viu equilibrando três pratos na bandeja.
Francine soltou uma risadinha, suada, mas radiante.
— Desmaiar? Seu Pierre, eu tô é voando!
O patrão balançou a cabeça, divertido, mas satisfeito em ver que o brilho nos olhos de Francine estava voltando.
Assim que o café fechava, quando qualquer um só pensaria em cama, a esposa de Pierre, Adele, já puxava Francine pela mão:
— Vamos, a corrida nos espera!
Elas desciam as ruas frias de Paris, correndo lado a lado, as luzes da cidade refletindo no Sena.
No começo, cada passada era uma tortura. O corpo de Francine gritava, seus pés latejavam, as pernas tremiam.
Mas bastava lembrar do espelho, das agências e das portas que ainda não tinha conseguido abrir, para ela apertar o passo.
— Mais rápido, Fran! — Adele incentivava, rindo.
— Você acha que eu sou foguete? — Francine bufava, mas aumentava a velocidade.
As noites terminavam sempre da mesma forma: banho rápido, colchão macio, e o corpo inteiro doendo. Ainda assim, ela adormecia com um sorriso.
A comida também mudou. Os croissants fofinhos do café já não a tentavam tanto.
Em vez disso, ela mordiscava sanduíches naturais cuidadosamente preparados por Adele, saladas coloridas, iogurtes com frutas.
No início, resmungava.
— Adele, isso é comida de passarinho!
— Passarinho voa, não voa? — a esposa do patrão retrucava.
— Verdade. Pois eu vou voar mais alto que essas francesas! — Francine respondia, firme, mastigando sem reclamar.
Na semana seguinte, o francês de Francine já escorria como música.
Ela se sentia confiante, viva.
O café estava cheio naquela manhã quando, entre um pedido e outro, algo lhe chamou a atenção.
Na mesa do canto, duas estudantes conversavam animadamente, com livros e anotações espalhados.
Francine serviu o café delas e, sem querer, ouviu um trecho:
— …vai ser incrível, o Défilé des Arts sempre é! Este ano o casting fechou rapidinho, só gente boa.

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