A sala de reuniões estava silenciosa, exceto pelo som discreto do ar-condicionado.
A mesa comprida de madeira escura refletia o brilho frio das lâmpadas de teto, e Natan se recostava na cadeira de couro com o semblante confiante, ou pelo menos tentava.
Do outro lado, André folheava uma pasta repleta de relatórios.
Os dois sócios raramente discordavam em público, mas, a portas fechadas, a conversa já havia tomado um tom ácido.
— Vou ser direto, Natan — disse André, inclinando-se para frente, a voz baixa mas cortante. — Esse escândalo te expôs e, por consequência, expôs a empresa. Tivemos perda de clientes importantes, investidores recuaram, e só não foi pior porque agimos rápido.
Natan ajeitou a gravata, disfarçando o incômodo.
— E tem mais uma coisa — acrescentou André, ajeitando os papéis à sua frente como quem encerra o assunto. — Só conseguimos segurar parte da imagem porque injetamos dinheiro em ONGs, em projetos sociais, em campanhas de responsabilidade corporativa. Uma manobra cara, mas necessária. Mas não podemos viver apagando incêndios.
— Eu já disse, foi um ataque infundado. Concorrência baixa jogando sujo. Nada que não possamos superar.
André ergueu o olhar, frio e impiedoso.
— Superar? Perdemos três clientes estratégicos, dois investidores se afastaram e nossa imagem na mídia ficou arranhada. Você acha que filantropia vai segurar isso para sempre?
O silêncio que se seguiu foi pesado.
Natan tamborilou os dedos na mesa, fingindo calma. Mas sentia o suor frio escorrendo pela nuca.
André então continuou, ainda mais firme:
— Ou você se controla, ou eu começo a reconsiderar essa sociedade. Não vou permitir que erros pessoais coloquem em risco tudo que construímos.
Natan mordeu por dentro da bochecha, contendo a irritação. Seu impulso era retrucar, mas o olhar fixo de André deixava claro que essa não era uma negociação, era um aviso.
Ele abriu um sorriso tenso, como se nada tivesse o atingido.
— Ora, André… que exagero. Já estamos controlando a narrativa. Os projetos sociais ganharam manchetes, e logo ninguém mais lembrará dessa fofoca.
— Eu espero que você esteja certo — respondeu André, fechando a pasta com força e se levantando. — Porque eu não tolero instabilidade.
Natan observou o sócio sair, e só então soltou o ar preso nos pulmões.
Endireitou-se na cadeira, inflando o peito como se tivesse vencido a discussão.
Mas, por dentro, o estômago se revirava. Ele sabia que André tinha razão.

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