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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 121

A sala de reuniões estava silenciosa, exceto pelo som discreto do ar-condicionado.

A mesa comprida de madeira escura refletia o brilho frio das lâmpadas de teto, e Natan se recostava na cadeira de couro com o semblante confiante, ou pelo menos tentava.

Do outro lado, André folheava uma pasta repleta de relatórios.

Os dois sócios raramente discordavam em público, mas, a portas fechadas, a conversa já havia tomado um tom ácido.

— Vou ser direto, Natan — disse André, inclinando-se para frente, a voz baixa mas cortante. — Esse escândalo te expôs e, por consequência, expôs a empresa. Tivemos perda de clientes importantes, investidores recuaram, e só não foi pior porque agimos rápido.

Natan ajeitou a gravata, disfarçando o incômodo.

— E tem mais uma coisa — acrescentou André, ajeitando os papéis à sua frente como quem encerra o assunto. — Só conseguimos segurar parte da imagem porque injetamos dinheiro em ONGs, em projetos sociais, em campanhas de responsabilidade corporativa. Uma manobra cara, mas necessária. Mas não podemos viver apagando incêndios.

— Eu já disse, foi um ataque infundado. Concorrência baixa jogando sujo. Nada que não possamos superar.

André ergueu o olhar, frio e impiedoso.

— Superar? Perdemos três clientes estratégicos, dois investidores se afastaram e nossa imagem na mídia ficou arranhada. Você acha que filantropia vai segurar isso para sempre?

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Natan tamborilou os dedos na mesa, fingindo calma. Mas sentia o suor frio escorrendo pela nuca.

André então continuou, ainda mais firme:

— Ou você se controla, ou eu começo a reconsiderar essa sociedade. Não vou permitir que erros pessoais coloquem em risco tudo que construímos.

Natan mordeu por dentro da bochecha, contendo a irritação. Seu impulso era retrucar, mas o olhar fixo de André deixava claro que essa não era uma negociação, era um aviso.

Ele abriu um sorriso tenso, como se nada tivesse o atingido.

— Ora, André… que exagero. Já estamos controlando a narrativa. Os projetos sociais ganharam manchetes, e logo ninguém mais lembrará dessa fofoca.

— Eu espero que você esteja certo — respondeu André, fechando a pasta com força e se levantando. — Porque eu não tolero instabilidade.

Natan observou o sócio sair, e só então soltou o ar preso nos pulmões.

Endireitou-se na cadeira, inflando o peito como se tivesse vencido a discussão.

Mas, por dentro, o estômago se revirava. Ele sabia que André tinha razão.

Pegou o telefone sobre a mesa e discou um número. Quando a voz do outro lado atendeu, sua expressão se endureceu.

— É hora de avançar para a segunda fase — disse, sem rodeios. — Quero denúncias formais encaminhadas às autoridades competentes. Meio ambiente, segurança do trabalho, fiscalização de contratos públicos… cada falha, cada irregularidade precisa ser exposta.

Fez uma breve pausa, ouvindo a resposta do interlocutor. Um brilho de satisfação atravessou seu olhar.

— Exato. Tudo ao mesmo tempo. Se um castelo já está com as paredes trincadas, basta mais um empurrão para desmoronar. Quero que os fiscais batam em todas as obras da Ferraz & Soares esta semana. Nada deve parecer orquestrado, mas deve ser simultâneo.

Ele recostou-se na poltrona, tamborilando os dedos no braço de couro.

— Natan acha que sobreviveu à tempestade — completou, a voz baixa e fria. — Mas ainda nem começou a chover.

Desligou o telefone e apoiou os cotovelos na mesa. O jogo seguia no ritmo exato que ele havia planejado.

Fiscais seriam acionados, jornalistas cutucados, concorrentes atiçados.

A cada passo, Natan sentiria o chão se estreitando debaixo dos pés.

Enquanto Natan tentava se convencer de que controlava a situação, Dorian já tinha preparado o próximo abismo.

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