Francine se jogou na cama, exausta depois de um longo dia servindo clientes no café.
O corpo doía, mas a mente estava inquieta, talvez por isso tenha pego o celular quase sem pensar, deslizando pela agenda até encontrar o nome que lhe trazia aconchego imediato.
— Malu! — disse com um sorriso ao ver o rosto da amiga do outro lado. — Liguei só pra matar saudades.
— E eu tava mesmo precisando ouvir a sua voz — respondeu Malu, cheia de energia. — Mas me diz, você tá bem? Parece que afinou o rosto... não tá deixando de comer, né?
Francine riu, apoiando a mão no estômago.
— Claro que não, menina! Tô até mais disciplinada agora. A Adele tá cuidando de mim, preparando minhas refeições. Tô me sentindo renovada.
— Adele... a esposa do seu patrão? — Malu perguntou, curiosa.
— Ela mesma. Virou quase uma mãe pra mim — respondeu Francine com entusiasmo. — Ah, precisava te contar: amanhã vou estar num desfile.
Do outro lado da linha, Malu soltou um gritinho.
— COMO ASSIM? Você já vai desfilar?
Francine gargalhou, balançando a cabeça.
— Calma, calma. Não vou desfilar... ainda. Vou trabalhar nos bastidores, ajudando a produção. Mas só de estar lá, respirando aquele ar de passarela, já me sinto no caminho certo. Quem sabe rola um network?
— Ai, Fran, eu tô tão feliz por você! — disse Malu, suspirando como se fosse ela quem tivesse sido convidada.
Por alguns segundos, ficaram em silêncio, mas Malu não aguentou guardar a notícia que fervilhava.
— Amiga... você tá por fora do que tá rolando no Brasil.
Francine arqueou a sobrancelha.
— E quando eu não tô? — provocou.
— É sério! A empresa do Natan tá um caos. Escândalo atrás de escândalo, investidores pulando fora, clientes cancelando contratos... foi a semana inteira só disso nos jornais.
Francine sentiu um calor gostoso subir pelo peito, um misto de raiva antiga com um certo prazer mal disfarçado.
— Ah, mas eu acho é pouco. Ele merece muito mais.
Malu riu.
— Eu imaginei que você ia dizer isso.
Francine se ajeitou entre os travesseiros, mordendo o lábio, e deixou escapar em tom quase sonhador:
— O que eu queria mesmo era ver a cara dele, assistindo tudo desmoronar...
Malu ainda ria da forma debochada com que Francine falava de Natan, quando um aviso de bateria fraca piscou na tela.
— Ih, amiga, preciso ir, senão meu celular vai me abandonar bem no meio da conversa. Mas olha, amanhã me conta tudo do desfile, viu?
— Ela está bem? — perguntou de repente, e os olhos dele marejaram contra a própria vontade.
Malu suavizou a expressão, quase com pena.
— Está bem, sim. Está feliz.
Ele deu um passo à frente, implorando sem precisar erguer a voz:
— Por favor, Malu… me diz onde ela está.
A amiga fechou os olhos por um instante, firme na decisão.
— Eu não posso. Eu prometi.
Dorian engoliu seco, sentindo o peso da negativa atravessar o peito como uma lâmina.
Ainda assim, assentiu devagar, respeitando a palavra dela. Sem dizer mais nada, virou-se e deixou a cozinha.
Cada passo era um conflito: a dor cortante da distância, misturada à alegria quase infantil de ter visto o rosto dela, mesmo que por tão pouco tempo.
Francine, do outro lado do oceano, alheia ao olhar dele, colocou o celular sobre a cama e suspirou fundo, ainda sorrindo do papo com Malu.
- Amanhã é o meu dia! Esse é só o primeiro passo.

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