Francine não demorou a perceber onde poderia ser útil.
Uma modelo choramingava porque a barra do vestido havia descosturado; Juliette estava ocupada demais com o celular para notar.
Sem hesitar, Francine pegou uma caixa de costura esquecida em cima de uma mesa e se abaixou.
— Fica parada um segundo, querida — pediu com naturalidade.
Seus dedos ágeis seguraram a barra, alinhando o tecido com a precisão de quem já tinha feito isso muitas vezes.
Um ponto rápido, firme, e em menos de dois minutos a situação estava resolvida.
— Pronto, ninguém vai nem perceber.
A modelo suspirou aliviada.
— Merci…
— De rien — respondeu Francine, no mesmo tom, sem pensar.
A troca em francês não passou despercebida.
Um estilista que passava apressado parou no meio do caminho, olhando-a com surpresa.
— Vous parlez français?
Francine ergueu o olhar e sorriu.
— Oui, bien sûr.
Ele pareceu avaliá-la por um instante, antes de soltar um breve aceno, satisfeito, e seguir seu caminho.
Mas a semente estava plantada: no meio da correria, um rosto novo que não apenas resolvia problemas com calma, mas também dominava o idioma mesmo sendo estrangeira.
Pouco depois, ela ouviu um burburinho mais adiante.
Duas modelos discutiam com o maquiador porque haviam recebido ordens trocadas, uma deveria usar o batom vermelho e a outra o nude, mas ninguém sabia mais qual era qual.
Juliette se aproximava com cara de quem ia desmaiar.
Francine se colocou no meio do fogo cruzado com uma firmeza quase natural.
— Meninas, respirem. — Pegou a prancheta da mão de Juliette, folheou até encontrar as anotações rabiscadas e apontou. — É simples: você é a look 12, com vermelho. Você, look 13, nude. Pronto, acabou.
As duas se entreolharam e desistiram da discussão. O maquiador agradeceu com um sorriso cansado.
Juliette olhou para Francine como se tivesse visto um milagre.
— Como você faz parecer tão fácil?
Francine apenas deu de ombros, rindo baixo.
— Eu já estive dos dois lados.
E enquanto voltava a circular pelo backstage, a sensação de estar em casa crescia.
Não era apenas nostalgia: era competência, algo que o ambiente inteiro começava a perceber nela.
Aos poucos, com a calma e a firmeza de Francine, o caos do backstage foi se dissolvendo.
Ela organizava cabides, revisava detalhes nas araras, ajudava a conferir os looks e até lembrava modelos distraídas de manterem a postura.
O ambiente, antes sufocante, parecia finalmente respirar.
Juliette, que mal tinha parado desde a chegada, deixou escapar um suspiro de alívio.
— Sim… já desfilei… por quê?
— Quanto você calça? — Juliette disparou, sem tempo para explicações.
— Trinta e sete.
Juliette bateu palmas, decidida.
— Perfeito!
Francine arregalou os olhos.
— Perfeito? O que você está…
— Você tem exatamente doze minutos pra ficar pronta pra passarela. — Juliette declarou, já puxando-a pelo braço.
Francine tropeçou para acompanhá-la, chocada.
— O quê?! Como assim?!
— Uma modelo faltou. E eu não tenho tempo pra arrumar outra substituta. — Juliette a encarou firme, quase suplicando. — Você me ajudou muito aqui, Fran. Merece um voto de confiança. Aceita?
Francine olhou em volta, sentindo o coração disparar.
O barulho, as luzes, o movimento apressado… tudo era ao mesmo tempo assustador e familiar.
Era como se uma porta esquecida se abrisse novamente diante dela.
Ela não pensou duas vezes. Um sorriso escapou antes mesmo das palavras.
— Sim! — disse com firmeza, quase sem acreditar. — Eu aceito!

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