Juliette não perdeu tempo; já a puxava em direção à equipe de maquiagem.
— Ótimo! Vamos, depressa, não temos um segundo a perder!
Enquanto era levada para a cadeira, Francine sentia as pernas tremerem de adrenalina.
Não de medo, mas de pura excitação.
Aquilo era tudo o que ela queria: voltar, provar que ainda podia, que o brilho não tinha se apagado.
As mãos de três pessoas a envolviam ao mesmo tempo: uma maquiadora passava pinceladas rápidas para acentuar seus traços, outra ajeitava os fios do cabelo com sprays que perfumavam o ar, e uma assistente prendia o vestido na parte de trás com uma destreza nervosa.
— Fica parada, respira fundo — dizia a maquiadora, sem levantar os olhos do trabalho.
Francine tentava obedecer, mas sentia o coração martelando como um tambor de guerra.
A cada segundo, a contagem regressiva para a entrada se aproximava do zero.
O vestido caía sobre ela como se tivesse sido feito sob medida. As mãos suavam, e a mente rodava em lembranças de outras passarelas, de quando viver disso era um sonho possível.
Mas agora, depois de tanto tempo longe, uma dúvida surgiu como uma sombra incômoda: e se ela errasse?
Respirou fundo, tentando ignorar o frio na barriga que subia até a garganta.
Podia ouvir Juliette lá no fundo, passando instruções apressadas pelo rádio, e o burburinho da plateia ansiosa ecoando além da cortina.
— Francine! — chamou uma voz, entregando-lhe os sapatos. — É a próxima!
Ela se calçou rápido, engoliu seco, e ficou de pé. As luzes fortes refletiam no tecido impecável.
O corredor estreito parecia mais longo do que deveria, como um túnel que a levaria direto para o julgamento de centenas de olhos.
Um último ajuste na barra, um borrifo de fixador no cabelo, e pronto.
Era a vez dela.
Francine fechou os olhos por um instante, e pensou: é agora ou nunca.
O som da música ecoava forte no salão, vibrando no peito como um chamado.
Atrás da cortina, Francine respirou fundo e endireitou os ombros.
O coração ainda acelerava, mas os pés, firmes dentro do salto, pareciam guiados por uma certeza maior que o medo.
O sinal veio.
Ela deu o primeiro passo e a passarela se abriu diante dela como um palco já conhecido.
Não houve hesitação: o olhar se ergueu altivo, o queixo marcado pela mesma confiança de anos atrás, e os quadris deslizaram no compasso perfeito da batida.

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