Dorian entrou em sua sala com passos longos, firmes e impacientes.
Jogou o paletó na cadeira, afrouxou os botões da camisa no colarinho e ligou o computador como se estivesse dando uma ordem de guerra.
O site da antiga agência de modelos abriu rápido.
Ele vasculhou sessões, nomes, arquivos de castings antigos, tudo com a precisão de um investigador. E com o humor de um homem que teve o dia atrapalhado.
Nada.
A conta do Ins profissional também não trazia novos rastros.
A única certeza era o vazio. E o nome falso. "Francy Moreau" não era um nome real. Era artístico.
Enter.
Nada.
Delete.
Clique.
Nada de novo.
Cassio bateu duas vezes na porta de vidro e entrou com uma pasta em mãos.
— Vim trazer o relatório da expansão no setor internacional… — ele interrompeu a frase, arqueando uma sobrancelha. — Tá tudo bem com você?
Dorian não respondeu de imediato. Só continuou encarando a tela como se ela fosse responsável por um crime pessoal.
Cassio puxou uma cadeira e se sentou na frente dele, rindo do próprio atrevimento.
— Você tá com essa cara desde ontem. E agora tá me olhando como se quisesse socar o computador.
— ...
— E... espera aí... — ele se inclinou, tentando conter o riso. — Você tá com a boca torta?
— Anestesia. — respondeu Dorian, seco, arrastando a palavra como se morder o próprio orgulho doesse mais que o procedimento no dente.
Cassio soltou uma gargalhada.
— Você tá parecendo o Batman mordendo a língua, cara. Isso tá ótimo. Tira uma selfie, por favor.
— Cassio, eu juro que se você não calar a boca…
— Tá, tá, tá. Sério agora. Você tá assim por causa da mulher do baile?
Dorian olhou para ele com o maxilar levemente torto, o tique no olho prestes a pular.
— Eu encontrei uma foto dela. Numa revista velha. Descobri o nome artístico. Liguei pra agência, e ela não trabalha mais lá. A única rede social que encontrei está desatualizada há anos.
Cassio coçou a cabeça.
— E o que você vai fazer?
— Vou descobrir o nome verdadeiro. E onde ela está agora.
— Isso tudo por uma noite?
Dorian voltou os olhos para a tela.
— Por um sorriso.
— Poético.
— Realista.
Cassio se levantou, ainda rindo.
— Francy Moreau.
Uma pausa. Papel sendo folheado do outro lado da linha.
— Senhor… a Francy não faz mais parte da nossa base de talentos e, infelizmente, não temos autorização para repassar nenhum tipo de contato.
— Eu não quero o contato. Quero que vocês entrem em contato com ela. Digam que um cliente está interessado em contratá-la.
A recepcionista hesitou.
— Senhor, eu… não tenho autoridade para intermediar esse tipo de contato. Isso precisaria passar pela gerência e…
— Então me passe para a gerência. Agora.
— No momento, a gerente responsável está em reunião.
Dorian fechou os olhos por um segundo, respirando fundo, como se estivesse se obrigando a não esmagar o celular com uma mão só.
— Muito bem. Anote meu nome: Dorian Villeneuve. Peça para sua gerente retornar o mais rápido possível. E diga que é um bom negócio atender esse pedido.
— Claro, senhor. Posso anotar um telefone?
— Não precisa. Ela saberá onde me encontrar.
Ele desligou antes que a resposta viesse.
Deixou o celular sobre a mesa com um leve estalo seco.
E voltou a comer, como se nada tivesse acontecido.
Mas a colher batendo contra o prato era o único som do ambiente.
E ela tremia levemente em sua mão.

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