Dorian acordou cedo naquela manhã. Mais cedo do que de costume.
Tomou banho, vestiu uma camisa branca impecável com as mangas dobradas até o antebraço, como se o casual fosse milimetricamente calculado, e desceu para o café.
A mesa estava posta com a exatidão que ele exigia.
Frutas cortadas simetricamente, café servido na temperatura certa, pães quentinhos... E funcionários atentos.
Três mulheres circulavam discretamente pela sala, cuidando da bandeja de sucos, repondo guardanapos, recolhendo pratos usados.
Ele observava uma por uma.
Cada olhar, cada movimento, cada timidez.
Nenhuma delas sorriu daquele jeito.
Nenhuma era ela.
Na cozinha, Francine espiava discretamente pela fresta da porta, com a cabeça meio torta e o coração aos saltos.
— Tá olhando o quê aí, agente secreta? — Malu sussurrou atrás dela, fazendo Francine dar um pulo.
— Ele tá olhando pra todo mundo, Malu. O homem virou um scanner humano.
— E você surtando desse jeito vai acabar entregando o ouro.
Francine fechou a porta devagarzinho e cruzou os braços.
— Só porque hoje tô de folga. Mas amanhã? Amanhã ele vai olhar pra mim como olhou pra todas essas pobres coitadas hoje. Só falta pegar um espelho e verificar a arcada dentária de cada uma.
— E você só não vai ser descoberta se continuar com essa sua cara de bolacha molhada. É o oposto daquela mulher confiante do baile, né?
Francine fechou os olhos, respirou fundo, e respondeu com a língua afiada de sempre:
— No baile eu tava de salto, de batom e de vinho. Aqui eu trabalho de sapatilhas, uniforme e medo. Não me exige milagre.
Malu segurou o riso.
— O que você precisa é de um bom motivo pra ele parar de procurar.
Francine arqueou a sobrancelha.
— Como assim?
— Dorian Villeneuve é um homem que não aceita perder. E agora ele quer uma mulher que desapareceu. Se outra aparecer no caminho…
— Ah não. Não vem com essa de empurrar alguém pro abate. A não ser que você esteja se candidatando, né?
Malu gargalhou.
— Eu? Credo. Já tenho problema demais pra virar a mocinha da sua fanfic. Tô aqui só pra assistir a novela.
Francine bufou, mas sabia que a tensão tava só aumentando.
Dorian saiu da mansão com a mesma expressão fria de sempre, embora por dentro carregasse uma frustração silenciosa.
Mais uma manhã sem sinal da mulher do baile.
Mais um café com gosto de mistério mal resolvido.
O motorista estacionou discretamente em frente à clínica particular.
Dorian entrou, foi recebido com reverência pela recepcionista e informado que o dentista estava com um leve atraso.
— Cinco minutos, senhor Villeneuve. O doutor já está finalizando o atendimento anterior.
Ele assentiu com a cabeça, sem dizer nada.

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