Enquanto Lohan guardava os últimos equipamentos, Francine dirigiu-se à recepção do estúdio para acertar o pagamento do aluguel.
Ao abrir o aplicativo do banco e conferir o saldo, a constatação veio como um frio na espinha: o dinheiro era pouco, e cada centavo precisava ser contado.
Ainda assim, ela respirou fundo.
Nada ali era gasto supérfluo; cada real investido naquele ensaio era um passo em direção ao seu sonho.
Com cuidado, pagou o valor do estúdio, sentindo um misto de alívio e orgulho.
Ao se sentar em uma das poltronas da recepção, o coração aqueceu.
Ela estava ali sozinha, mas estava dando conta, fazendo as escolhas certas e investindo em si mesma.
Francine se recostou na poltrona, deixando escapar um suspiro de alívio.
O ensaio tinha sido intenso, mas incrivelmente satisfatório.
Ela tirou o celular do bolso do casaco para checar rapidamente as mensagens, pensando em enviar algumas fotos do espaço para Malu.
Foi então que a tela acendeu com uma notificação inesperada: uma transferência bancária acabara de chegar.
Ela franziu a testa, curiosa, tocando na notificação para abrir os detalhes.
Os números na tela eram generosos, muito além do que ela poderia esperar de um simples auxílio para o transporte ou pequenas despesas.
— O quê...? — murmurou, a voz quase se perdendo no estúdio silencioso, enquanto olhava novamente os números, incrédula.
Mas o choque não parou aí. Havia também uma mensagem anexada à transferência:
"Isso não paga minha dívida com você, mas paga seu táxi até o baile da Montblanc."
Francine ficou imóvel, os dedos ainda segurando o celular como se temesse que desaparecesse.
Um arrepio percorreu sua espinha, misto de incredulidade e confusão.
Ela sabia, no fundo, de quem se tratava, mas ainda assim era surreal receber algo assim de Dorian, de forma tão direta e discreta ao mesmo tempo.
Ela respirou fundo, tentando processar.
Não era apenas o valor generoso, nem o gesto inesperado.
Era a audácia, o jeito de mostrar que ele ainda pensava nela, que de algum modo ele queria estar presente sem invadir demais o espaço dela.
— Isso é… impossível — murmurou, sem conseguir conter a mistura de choque e curiosidade que a consumia.
E o coração, teimoso, bateu mais rápido do que ela gostaria de admitir.
Enquanto ainda tentava decifrar o que Dorian pretendia com aquele gesto, Francine permanecia imóvel na poltrona, os olhos fixos na tela do celular.
As palavras da mensagem ainda ecoavam na mente dela, embaladas pelo peso da quantia generosa que agora estava em sua conta.
A respiração vinha curta, quase irregular, quando uma voz baixa, próxima demais ao seu ouvido, a fez estremecer:

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