Cássio atravessava a multidão em frente ao estádio com o celular no ouvido, tentando ouvir a voz de Dorian no meio da gritaria e dos vendedores ambulantes.
— Onde você está? — perguntou, desviando de um grupo que cantava animado o hino do time.
— Próximo à entrada principal. — a voz firme de Dorian soou como se estivesse em uma reunião de negócios, e não cercado de torcedores.
Cássio ergueu os olhos, procurando, até que avistou a figura inconfundível: impecavelmente alinhado, camisa social azul clara, calça de alfaiataria e o olhar impassível de quem parecia mais prestes a fechar um contrato do que assistir a uma partida de futebol.
Ele não conseguiu conter a risada.
— Não acredito. Você não vai entrar assim no estádio não. Eu não fico do seu lado desse jeito.
Dorian ergueu uma sobrancelha, desligando o celular.
— O que tem de errado em mim?
— Você veio torcer ou comprar um jogador? — Cássio cutucou, divertido. — Bora ali na lojinha comprar roupa de gente.
Eles entraram na lojinha do estádio, o cheiro de algodão novo e de souvenirs esportivos misturando-se à música ambiente.
Cássio praticamente arrastava Dorian para as araras de camisetas do time.
— Pelo menos você está de tênis. Já é algum progresso — comentou Cássio, sorrindo de canto.
Dorian segurou uma camiseta azul e olhou para ela como se tivesse encontrado um alienígena.
— Eu não vou vestir isso.
— Ah, por favor! — Cássio respondeu, segurando o braço dele. — Prefere ver sua camisa social toda manchada de cerveja e sujeira de pipoca voando pelo estádio?
Dorian suspirou, rendendo-se. Pegou uma camisa do time, ainda com uma expressão de leve horror, mas cedeu.
— Muito bem, mas isso é humilhante.
— Humilhante? — Cássio gargalhou. — Você vai se misturar com o povo, ver como pessoas normais se comportam. E, acredite, no fim, você vai até gostar.
Dorian deixou o mini drama de lado, enquanto Cássio pegava os outros itens, e logo ambos estavam prontos para seguir ao setor reservado, ele finalmente vestido como qualquer torcedor, embora o olhar ainda denunciasse uma ponta de desconforto e uma dose do seu perfeccionismo inato.
Ele avançava pelo corredor com aquele olhar analítico de CEO, avaliando cada detalhe como se estivesse fiscalizando um novo empreendimento.
Cada movimento das pessoas, cada gesto dos vendedores ambulantes, cada grito da torcida parecia registrado em sua mente meticulosa.
Cássio, percebendo o contraste, não resistiu:
— Villeneuve, relaxa, isso não é uma reunião de negócios. Aqui ninguém se importa com seus ternos ou sobrenome.
Dorian ergueu uma sobrancelha, impassível, mas Cassio já se jogava na experiência: comprava um cachorro-quente, conversava com torcedores ao redor, ria com facilidade e vibrava a cada lance do jogo.

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