Entre um gol e outro, a arquibancada voltava a um ritmo mais calmo.
Os gritos se transformavam em murmúrios, e era nesse intervalo que Dorian finalmente se deixou falar, sem rodeios.
— Não vou negar, Cássio… está sendo insuportável respeitar a decisão dela. Eu não sei onde a Francine está, não sei se está bem. Essa distância me corrói.
Cássio, ainda com a lata de refrigerante na mão e a cara relaxada de quem estava em casa, arqueou a sobrancelha.
— Olha só… o grande Dorian Villeneuve, CEO de tudo e mais um pouco, aprendendo que nem tudo está debaixo do próprio controle. Vai ver isso é bom pra você.
Dorian lançou um olhar atravessado, mas não rebateu.
Apenas respirou fundo, como quem engole a provocação, e talvez até reconhecesse uma ponta de verdade naquelas palavras.
— Posso não estar no controle — Dorian disse, firme —, mas não vou ficar de braços cruzados. Enviei dinheiro para ela. Não muito, mas o suficiente pra garantir que não me esqueça.
Cássio soltou uma gargalhada tão alta que algumas pessoas ao redor chegaram a olhar.
— Cara, você é inacreditável! Dinheiro? É assim que você tenta ser lembrado? Você acha que a Francine vai abrir a carteira e pensar: “ah, que saudade do Dorian”?
Dorian estreitou os olhos, sem perder a compostura.
— Não é sobre o dinheiro em si. É sobre mostrar que eu me importo, que estou disposto a apoiar, mesmo à distância.
Cássio balançou a cabeça, ainda rindo.
— Você tem que entender que não dá pra comprar espaço no coração de alguém. Ainda mais o dela — Cássio disse, em tom divertido.
Dorian suspirou fundo, mas manteve o olhar fixo no campo.
— Eu já sei disso. Se tem alguém que não se vende por nada, é a Francine. Mas eu não estou tentando comprar ela, Cássio.
— Então o que você está tentando? — o amigo provocou, ainda curioso.
— Foi a única forma que encontrei de mandar uma mensagem. Ela mudou de número, desapareceu de todas as formas possíveis… — Dorian passou a mão pelos cabelos, inquieto. — Mas o dinheiro, esse eu sei que chega até ela. Pelo menos assim, mesmo que não me responda, vai lembrar de mim toda vez que olhar praquilo.
Cássio soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
— Cara, você é o romântico mais torto que eu já vi. Parece até que aprendeu a amar em planilha de Excel.
A ironia arrancou um meio sorriso de Dorian, mas Cássio logo suavizou o tom, dando um tapinha no ombro do amigo.

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