O céu parisiense estava nublado, tingido por um cinza elegante que, de alguma forma, só tornava as ruas diante do Louvre ainda mais imponentes.
A pirâmide de vidro refletia a luz suave da manhã, e o burburinho de turistas se misturava ao som dos passos de Francine pelo pátio.
Ela ajustou a bolsa no ombro, respirou fundo e discou o número de Lohan.
— Já cheguei — disse, com a voz firme, embora o coração batesse num ritmo ansioso.
Do outro lado da linha, ele respondeu com aquele tom arrastado e seguro de si:
— Estou perto da entrada principal. Não vai ser difícil me encontrar.
Francine seguiu o fluxo da multidão, os saltos discretos ecoando no mármore até que, alguns metros adiante, o avistou.
Lohan estava encostado em uma das colunas, casual e ainda assim impecável, como se o Louvre fosse apenas mais um cenário preparado para ele.
Ele ergueu o olhar quando percebeu sua aproximação.
Por um instante, esqueceu de disfarçar.
Os olhos se alargaram num misto de surpresa e fascínio, como se tivesse sido pego desprevenido diante de uma obra que não esperava encontrar.
Francine se aproximou, tentando manter a compostura.
A saia fluída, a maquiagem leve e o cabelo perfeitamente alinhado criavam uma imagem que transbordava confiança.
Lohan deu um passo em direção a ela, e sua voz soou quase como um sussurro, carregada de ironia e charme velado:
— Eu devia ter desconfiado... o Louvre costuma guardar suas peças mais raras para ocasiões especiais.
Francine arqueou uma sobrancelha, sem ceder ao jogo:
— Espero que não esteja me comparando a uma obra empoeirada.
Ele riu baixo, a expressão ainda encantada.
— Não… seria um insulto.
Eles começaram acompanhando o grupo principal, seguindo pelas alas mais clássicas, onde cada obra parecia carregar séculos de história e segredos.
Francine mantinha o olhar atento às esculturas e pinturas, absorvendo cada detalhe, mas sem deixar de notar a presença de Lohan a seu lado.
Ele falava pouco, mas suas palavras carregavam aquele tom sutilmente provocativo que sempre fazia Francine se enrijecer por dentro.
Quando se afastaram do grupo, um corredor menos movimentado, onde a luz filtrava pelas janelas altas em feixes dourados, ele aproveitou a privacidade para ser mais incisivo.
Ela apontava detalhes técnicos nas fotos, comentava sobre ângulos, tecidos, até poses.
O tom da voz se enchia de entusiasmo, muito diferente da frieza calculada de minutos antes.
— Olha essa aqui — disse ela, parando diante de um retrato em preto e branco de uma modelo dos anos 60. — O mais incrível é a forma como a sombra valoriza o corte do vestido. É simples, mas atemporal.
Lohan a observava em silêncio, quase esquecido da ideia de seduzi-la. O encanto agora vinha de vê-la tão imersa, tão leve.
— Você fala dessas imagens como se tivesse nascido dentro delas — comentou, genuíno. — É a primeira vez hoje que eu te vejo sorrir sem reservas.
Francine soltou uma risada curta, levando a mão ao cabelo.
— Não exagera. É só que… aqui eu me sinto em casa.
— Então quer dizer que finalmente achei o segredo pra te distrair — ele provocou, mas dessa vez sem malícia. — Trazer você para um lugar onde ninguém precisa fingir nada.
Os dois caminhavam devagar, ainda rindo baixinho, quando uma presença inesperada os envolveu.
Uma voz suave, polida, mas firme, que parecia carregar o peso de anos de intimidade, soou atrás deles:
— Lohan?

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