Francine congelou por um instante, o riso morrendo nos lábios. Lohan também parou, o corpo tenso, como se tivesse sido surpreendido em flagrante.
Diante de uma sequência de fotografias em preto e branco, uma figura surgiu com naturalidade ensaiada.
Chloé.
Alta, esguia, com a postura impecável de quem nasceu sob holofotes, exalava aquela mistura de charme parisiense e frieza calculada.
O vestido fluía como se tivesse sido desenhado para se mover junto a ela, e os traços lembravam a delicadeza de uma boneca antiga, mas o olhar era cortante como vidro.
Lohan ergueu os olhos e, por um instante, pareceu genuinamente surpreso.
Francine percebeu a tensão mínima no jeito dele ajeitar a gola do casaco, como se quisesse se recompor antes de ser engolido pela presença da francesa.
— Lohan! — exclamou Chloé com efusividade, aproximando-se sem pedir licença. Tocou seu rosto com um beijo demorado em cada lado, a intimidade estampada no gesto. Em seguida, virou-se para Francine com um olhar avaliador, que percorreu da cabeça aos pés, como se pesasse cada centímetro da brasileira. — Novas amizades?
Lohan pigarreou, mas o sorriso dele foi educado.
— Sim. Esta é Francine. Uma modelo brasileira. Está em Paris para impulsionar a carreira.
Francine manteve o silêncio por alguns segundos.
O próprio nome, mencionado como cartão de apresentação, fez com que ela esboçasse apenas um sorriso contido o suficiente para não parecer invisível, mas também não se oferecer como alvo fácil.
Chloé, como se a brasileira não estivesse ali, soltou em francês, carregando doçura ácida na voz:
— Então é por isso que você anda tão ocupado… uma turista exótica. Imaginei que tivesse um gosto mais refinado.
Francine não hesitou. Ergueu o queixo e respondeu, no mesmo francês — limpo, impecável, sem sotaque denunciador:
— É uma pena quando alguém confunde arrogância com sofisticação. No Brasil, aprendemos que respeito também faz parte do bom gosto.
O golpe foi sutil, certeiro.
Chloé piscou lentamente, digerindo a resposta. Os lábios se curvaram em algo entre um sorriso e um vinco de irritação.
— Olha só… ela fala francês. É mais exótica do que pensei. Bem, se me dão licença, ainda tenho muitas obras para observar. Bom passeio aos dois.
Girou nos próprios calcanhares e se afastou, deixando para trás um perfume adocicado e a sensação de batalha não declarada.
Francine acompanhou o movimento com os olhos, e antes que o silêncio se tornasse constrangedor, disparou em francês claro, alto o suficiente para alcançar os ouvidos da rival:
— Quem é a… mascote de luxo que acabou de passar?
Lohan arregalou os olhos, surpreso com a segurança que Francine havia demonstrado. O sorriso dele se ajeitou em algo mais sério antes de responder:

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