Francine piscou rápido, como se tivesse acordado de um transe, e largou a gravata de volta na prateleira.
— Nada. Estava só pensando alto.
Ele não insistiu, mas o olhar dele dizia mais do que qualquer palavra.
Um silêncio leve se instalou, cheio de significados, até que Lohan riu baixinho, mudando de assunto para não deixá-la ainda mais sem saída.
Francine desviou rápido o olhar da gravata e caminhou alguns passos adiante, tentando disfarçar o próprio deslize.
Parou diante de uma estante colorida de miniaturas da Mona Lisa e chaveiros em formato da pirâmide do Louvre. Pegou dois itens, avaliando com atenção.
— Acho que Adele ia gostar disso… — disse baixinho, segurando um pequeno quebra-cabeça com a obra. — E talvez uma caneca pra Malu. Ela vive reclamando que as dela sempre quebram.
Lohan a observava com interesse, sem pressa de interromper.
— Vai mandar pro Brasil? — ele perguntou.
— É… mas não sei se é muito complicado mandar presente pra lá. — Francine mordeu o lábio, pensativa.
Ele deixou escapar um sorriso.
— E a gravata? Vai junto no pacote?
Francine soltou uma risada curta, quase nervosa, e balançou a cabeça.
— A gravata era só uma ideia boba. Esse é pra Malu mesmo.
Enquanto enrolava o papel em volta da caneca escolhida, seus pensamentos fugiram para longe.
Por um instante, cogitou escolher algo para Dorian. Algo simples, só para… o quê? Reforçar lembranças? Acabar com elas?
Afastou a ideia com um gesto rápido de negativa, sacudindo a cabeça.
Lohan franziu a testa, confuso, sem entender aquele movimento repentino. Mas não perguntou. Apenas continuou sorrindo, como quem preferia guardar o mistério.
Eles saíram da lojinha de souvenirs, caminhando pelo pátio iluminado pelas últimas luzes do entardecer.
O vento frio atravessava o espaço aberto, levantando fios soltos do cabelo de Francine.
Lohan reparou no detalhe, aproximou-se com naturalidade e ajeitou a mecha rebelde atrás da orelha dela.
— Quer o meu casaco? — perguntou, meio sério, meio provocador.
Francine sentiu o coração dar um salto. O gesto simples parecia carregar peso demais.
Ela desviou o olhar, buscando qualquer coisa para se apoiar, e foi quando, por cima do ombro dele, viu um táxi estacionado na calçada.
— Eu… é… tenho que… não. Quer dizer, obrigada, mas meu táxi já chegou, tchau! — disparou, tropeçando nas palavras.
Sem esperar resposta, correu até o carro, deixando Lohan parado no pátio, rindo sozinho ao perceber o quanto a havia desconcertado.
Francine abriu a porta e entrou, quase se jogando no banco de trás.

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