Francine chegou cedo ao local do desfile, o coração acelerado e as mãos frias de expectativa.
O backstage fervilhava com modelos, maquiadores, costureiras e produtores correndo de um lado para o outro.
O cheiro de laquê e tecido novo se misturava ao burburinho ansioso, e ela sentia cada batida do coração ecoar no ambiente.
Estava tão imersa em tudo que quase tropeçou ao dar de cara com Chloé.
As duas se entreolharam por um instante que pareceu eterno: o olhar de Chloé carregado de desprezo, e o de Francine devolvendo na mesma moeda.
A produtora percebeu de longe e não deixou passar.
— Meninas, eu preciso de postura. Aqui dentro não há espaço para disputas pessoais. Vocês entendem?
Chloé foi a primeira a responder, com a voz melosa demais para soar verdadeira:
— Pode ficar tranquila, foi tudo um mal-entendido. Eu sei ser profissional.
Francine segurou a vontade de revirar os olhos. Havia tanto veneno escondido naquela doçura que dava para sentir no ar. Mas manteve a calma e respondeu, firme:
— Estou aqui apenas para trabalhar. Não pretendo causar nenhum problema.
A produtora assentiu, satisfeita, e voltou à correria.
Já Francine e Chloé continuaram se olhando por mais um segundo, até que Chloé deu um sorrisinho frio e se afastou.
Francine respirou fundo, ajustou a postura e pensou consigo mesma:
“Se ela acha que vai me desestabilizar, está muito enganada.”
A movimentação era tanta que ninguém reparou quando Chloé, com passos calculados e um sorriso que escondia mais do que revelava, se aproximou da arara destinada a Francine.
Ela fingiu estar conferindo as próprias roupas, ajeitou discretamente um cabide e, com a rapidez de quem já havia planejado aquilo antes, trocou as etiquetas de lugar.
Um vestido mais sóbrio foi colocado no lugar do que Francine usaria, enquanto Chloé se assegurava de que a peça mais exuberante cairia em suas mãos.
Era uma jogada sutil, quase imperceptível, mas carregada de intenção: não bastava estar no mesmo palco que Francine, era preciso brilhar mais, roubar a cena.
Um sorriso triunfante escapou em seus lábios.
“Quero ver ela brilhar com essa peça sem graça.”
Quando chamaram Francine para vestir-se, ela não questionou a escolha.
Recebeu o look indicado pela etiqueta e seguiu obediente, concentrada apenas em não errar nada.
Enquanto isso, Chloé, vestindo a peça que havia “roubado”, se admirava no espelho com uma expressão de triunfo antecipado.
Só que o destino tinha outros planos.
Quando Francine surgiu sob os refletores, o silêncio de admiração percorreu a plateia antes mesmo dos aplausos.
Não era a roupa que atraía todos os olhares, era ela.
O andar seguro, a postura elegante e o olhar intenso fizeram cada costura parecer valiosa, cada detalhe reluzir como alta-costura.

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