A cada flash, a cada olhar da plateia, ela se fortalecia.
A dor dos sapatos apertados se transformava em combustível para manter-se ereta, determinada.
Seus ombros não vacilaram, seu sorriso discreto permaneceu no ponto certo entre sofisticação e mistério.
Do outro lado, observando, Chloé quase não acreditava.
A armadilha que havia preparado com tanto cuidado estava se desfazendo diante dos olhos de todos.
Não importava o quanto o salto esmagasse os pés de Francine, o que se via na passarela era uma profissional que parecia feita para estar ali.
Quando deixou a passarela, sob aplausos calorosos, Francine finalmente soltou o ar que prendia.
Os pés latejavam, mas a sensação de vitória era muito maior.
Havia provado não apenas ao público, mas a si mesma, que era capaz de enfrentar qualquer obstáculo, até mesmo aqueles preparados por quem mais desejava vê-la cair.
E, no canto, Chloé mordia a própria língua para não deixar escapar o ódio.
Se antes já queria destruir Francine, agora tinha certeza absoluta: não descansaria até vê-la arruinada.
As luzes da passarela diminuíram, dando início à volta final.
Todas as modelos surgiram juntas, formando uma fileira impecável, com sorrisos ensaiados e passos sincronizados.
A plateia aplaudia de pé, e a música vibrante preenchia o ambiente com a energia de um espetáculo que havia sido um sucesso.
Francine caminhava entre elas, ainda sentindo os pés latejarem dentro dos sapatos apertados, mas sustentando a mesma elegância do início ao fim.
Cada aplauso que ecoava parecia recompensar sua resistência.
Nos bastidores, assim que saíram da vista do público, Chloé deu alguns pulinhos teatrais, batendo palmas como se fosse a maior apoiadora da equipe.
— Bravo, bravo, meninas! Todas estiveram maravilhosas! — disse em um tom alto, melodioso, claramente para ser notada. — Foi um prazer enorme trabalhar com todas vocês.
Então, como quem guardava o melhor para o final, girou ligeiramente o corpo em direção a Francine, os olhos cintilando de uma falsidade tão doce que chegava a enjoar.
— Mas, principalmente com você — disse, aproximando-se. — Tenho que admitir que me surpreendeu com a sua performance. Você brilhou mais do que eu esperava.
Antes que Francine pudesse reagir, Chloé a puxou para um abraço caloroso, beijando o ar ao lado de sua bochecha.
Suas mãos deslizaram com aparente delicadeza pelas costas dela, subindo até os cabelos presos no penteado sofisticado.
O gesto parecia amigável, mas havia uma sutileza traiçoeira no movimento: seus dedos se demoraram um pouco mais do que o necessário, enroscando-se discretamente entre as mechas, em um gesto que parecia afetuoso demais para o clima profissional.
Francine ficou imóvel por um segundo, sentindo aquele toque estranho, quase invasivo.
Quando se afastou, forçou um sorriso educado.
Cruzou os braços e inclinou a cabeça, fingindo solidariedade.
— Oh, mon Dieu… — exclamou, levando a mão ao peito. — Isso é terrível, Francine. Acho que não tem outro jeito… vai ter que cortar.
Seu tom era suave, quase compassivo, mas os olhos brilhavam com o prazer mal disfarçado da maldade.
— Talvez seja até melhor assim. Um novo visual pode te destacar ainda mais. Afinal… esse corte atual está tão pobrinho pra uma modelo, não acha? Não sei se de onde você vem isso parece bom, mas aqui digamos que somos um pouquinho mais refinados.
As palavras entraram como punhal.
Francine sentiu o sangue ferver.
Seus olhos se encheram de lágrimas, não de fragilidade, mas de raiva.
Cada aplauso da plateia ainda ecoava em sua memória, e agora, diante daquela provocação descarada, ela sabia que não deixaria barato.
Com a voz firme, quase um sussurro carregado de ódio, respondeu:
— Isso não vai sair barato, Chloé.
A modelo rival apenas arqueou a sobrancelha, satisfeita com o estrago, enquanto Francine cerrava os punhos, já decidida de que essa batalha estava apenas começando.
O salão silenciou por um instante, e, no reflexo do espelho, o olhar da jovem já não era mais apenas de dor: era de pura determinação.

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