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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 162

Na manhã seguinte, Francine mal teve tempo de terminar o café.

Adele surgiu pela porta do quarto como um furacão, já de salto, bolsa pendurada no ombro e óculos escuros apoiados na cabeça.

— Vamos, menina! As melhores lojas não vão se esperar por nós. — Ela ergueu as sobrancelhas, impaciente.

Francine riu, ainda ajustando o casaco.

— Achei que fosse exagero quando você disse que iríamos cedo.

— Exagero? — Adele levou a mão ao peito, indignada. — Francine, achar um vestido perfeito para um baile de gala não é tarefa simples. É praticamente uma missão de guerra.

O dia estava nublado, mas isso não impediu Adele de arrastar Francine para a primeira leva de lojas.

As vitrines exibiam vestidos reluzentes, mas a cada cabide que Francine pegava, vinha também um suspiro de reprovação.

— Não serve. — Ela balançou a cabeça, analisando o tecido de cetim azulado que marcava demais a cintura.

— Muito simples. — Largou outro modelo, que mal havia vestido.

— Esse parece fantasia de carnaval… — murmurou, franzindo o nariz diante de um modelo exageradamente bordado.

Adele, que a princípio havia se divertido com a seletividade da amiga, começou a perder a paciência.

Cruzou os braços, observando Francine sair do provador com o terceiro vestido rejeitado em menos de vinte minutos.

— Francine, mon cher, o que tem de tão especial nesse baile que nada, absolutamente nada, está bom o suficiente pra você? — questionou, já sem esconder o tom de resmungo.

Francine parou por um instante, respirou fundo e encarou o reflexo no espelho. Seu olhar vacilou antes de responder:

— Esse baile não é qualquer baile, Adele. Ele é organizado por uma das agências de modelos mais famosas do mundo. Estar lá é uma oportunidade única, pode abrir portas que eu nunca imaginei.

Adele arqueou uma sobrancelha, desconfiada.

— Só isso mesmo? — cutucou, estreitando os olhos.

Francine desviou o olhar, como se a confissão fosse pesada demais para sair. Mas, enfim, deixou escapar em voz baixa:

— Também é possível que eu encontre meu antigo patrão lá… então… eu preciso estar à altura. Preciso que ele veja o que perdeu.

Adele deu uma risadinha curta, inclinando-se para o lado.

— Mas pelo visto ele não perdeu, não é? — provocou, com aquele ar de quem enxergava além da fachada. — Se você está tão preocupada assim, minha querida, parece que quem perdeu foi você… o sono, a calma, e talvez um pouquinho da razão também.

Francine mordeu o lábio, sem saber se retrucava ou se ria da sinceridade ferina da esposa do patrão.

As lojas seguintes eram um mundo completamente diferente.

Tapetes felpudos, espelhos iluminados e atendentes que falavam baixo, como se cada palavra pudesse quebrar a aura de exclusividade do ambiente.

Adele caminhava confiante, cumprimentando vendedoras como se fosse habitué daquelas casas de alta costura.

Francine, no entanto, se sentia um pouco deslocada.

Ela engoliu em seco, finalmente sussurrando:

— É esse.

Minutos depois, Francine já estava atrás da pesada cortina de veludo, ajudada pela vendedora que manipulava o delicado tule como se fosse vidro.

Adele aguardava do lado de fora, impaciente, tamborilando os dedos no braço da poltrona.

— Pronta? — a amiga chamou.

Francine respirou fundo, olhando-se no espelho estreito do provador antes de sair. Quando afastou a cortina, Adele levou a mão à boca, completamente em choque.

— Santa Mãe de Paris… — exclamou, levantando-se num salto. — Eu retiro tudo o que disse, esse baile podia ser o casamento da rainha que ainda assim você estaria à altura.

Francine riu, mas era um riso nervoso.

Ela girou lentamente diante do espelho principal da boutique.

Era como se tivesse encontrado não apenas um vestido, mas uma versão mais forte de si mesma.

— Adele… — murmurou, ainda encantada com o reflexo. — Esse vestido não é só pra chamar atenção. É como se ele dissesse tudo o que eu não posso falar em voz alta.

Adele sorriu largo, segurando a mão dela.

— Pois então que ele fale por você, ma chérie.

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