Natan chegou ao escritório com o passo firme e o peito estufado, como se cada centímetro de mármore do saguão pertencesse a ele.
O terno perfeitamente alinhado, o relógio suíço brilhando sob a luz artificial e o sorriso de autossuficiência completavam o quadro de um homem que acreditava estar no controle absoluto.
Assim que entrou em sua sala, foi recebido pela secretária, que aguardava com a prancheta em mãos.
— Bom dia, doutor Natan. — disse ela com a formalidade de sempre. — Hoje à tarde teremos o primeiro conselho após a cisão. É nesse momento que será apresentado o novo sócio, o senhor Eduardo Rangel.
Natan assentiu com um gesto preguiçoso, como quem já sabia de tudo.
— Muito bem. Prepare a pauta da reunião. Quero que esteja organizada com os pontos centrais das minhas estratégias para os próximos dois anos. O mercado precisa enxergar que estamos prontos para crescer ainda mais.
A secretária anotou rapidamente, sem levantar os olhos.
— Claro, doutor.
Natan caminhou até a poltrona de couro ao lado da janela panorâmica e se deixou cair ali, com a confiança de quem jamais duvidava de sua própria genialidade.
O horizonte da cidade se estendia diante dele, e na mente só havia espaço para cálculos de expansão, projeções de lucro e a imagem gloriosa de si mesmo sendo aplaudido no conselho.
Ele sequer imaginava que aquele seria o dia em que o trono que tanto ostentava começaria a ruir.
Mais tarde, enquanto Natan revisava suas anotações e ensaiava mentalmente o discurso que faria no conselho, do lado de fora do prédio a verdadeira tempestade se aproximava.
Dorian aguardava junto à entrada da construtora, impecável no terno escuro, a postura ereta e o olhar frio que sempre denunciava sua natureza calculista.
Poucos segundos depois, Eduardo Rangel estacionou e desceu do carro com um sorriso nervoso, ajeitando a gravata antes de se aproximar.
— Pontual como sempre — disse Eduardo, tentando soar confiante. — Está pronto para esse momento?
Dorian ergueu uma sobrancelha, o canto dos lábios curvando em um meio sorriso que não chegava aos olhos.
— Mais do que pronto.
Os dois entraram juntos no saguão e seguiram para o elevador.
O silêncio pesado só foi quebrado pelo som do visor marcando cada andar.
Eduardo respirava fundo, mas Dorian parecia uma estátua, indiferente, como se já soubesse de antemão cada detalhe do que iria acontecer.
Quando as portas se abriram no andar da presidência, a secretária levantou os olhos da mesa e arregalou-os ao ver Dorian ao lado de Eduardo.
— Boa tarde, senhor Rangel — disse, apressada, mas ainda confusa. — E… o senhor é…?
Dorian se adiantou, a voz grave e cortante, cada palavra medida:
— Dorian Villeneuve. Acionista majoritário da empresa.

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