O silêncio pesado que dominou a sala logo foi quebrado por um burburinho contido.
Os conselheiros trocaram olhares entre si, alguns inclinando-se para o colega ao lado para cochichar, outros apenas arregalando os olhos diante da ousadia da frase recém-proferida por Dorian.
A tensão vibrava no ar, como se o espaço entre aquelas quatro paredes fosse pequeno demais para conter o confronto que estava prestes a acontecer.
Natan ajeitou o paletó com a calma ensaiada de quem se recusa a perder o controle diante do inimigo.
Forçou um sorriso cínico, tentando recuperar a autoridade que escorregava de suas mãos:
— Quem é você pra falar comigo assim dentro da MINHA empresa? — a ênfase na palavra saiu carregada de arrogância, como se fosse um lembrete a todos na sala de que ele ainda se via como o único dono do lugar.
Alguns conselheiros desviaram o olhar, desconfortáveis; outros se remexeram em suas cadeiras, ansiosos pelo desfecho.
A secretária, que permanecia próxima à porta com uma prancheta em mãos, parecia prender a respiração.
Dorian não se abalou.
Com um leve arquejo de sobrancelha, inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
O tom de sua voz era baixo, mas cada palavra carregava peso suficiente para ecoar:
— Talvez seja essa a parte que você ainda não entendeu, Natan. Não é mais a sua empresa.
Natan sentiu o suor frio começar a escorrer pela nuca, embora mantivesse o queixo erguido. A postura altiva já não convencia tanto — nem a si mesmo.
— O que você está insinuando? — a voz saiu mais áspera do que ele pretendia, denunciando o incômodo.
Dorian abriu a pasta de couro que repousava à sua frente e, com a calma de um jogador de xadrez que já antevia o xeque-mate, puxou uma pilha de documentos encadernados.
Girou-os na direção dos conselheiros, deixando que todos pudessem enxergar os selos, assinaturas e carimbos que atestavam sua legitimidade.
— Estou insinuando nada, Natan. Estou apenas mostrando os fatos.
Ele se recostou na cadeira, a voz cortante:
— Quando rolou o primeiro escândalo na sua empresa, enquanto você estava ocupado demais tentando salvar a própria imagem na imprensa, eu entrei em ação. Comprei suas ações a preço de banana. — alguns conselheiros ergueram as sobrancelhas, trocando olhares cúmplices como quem finalmente via peças encaixando.
Dorian continuou, sem pressa:
— Depois, quando André percebeu que dividir a empresa com você era um convite ao naufrágio, eu fiz com que Eduardo comprasse a parte dele.
Eduardo, ao lado, apenas ajustou a gravata e permaneceu em silêncio, a expressão impenetrável de quem sabia exatamente qual era o papel que lhe cabia naquela encenação.

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