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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 166

O silêncio naquele momento ficou ainda mais denso, como se a sala inteira tivesse parado de respirar. Dorian continuou, sem perder o tom cortante:

— Espero que isso sirva para você mudar de foco. Talvez, se começar outra empresa do zero, você não tenha tempo para assediar mais ninguém. Agora retire-se desta sala. Você não faz mais parte deste conselho. E se não sair voluntariamente, chamarei os seguranças para tirá-lo.

Aos poucos, Natan abaixou a voz, ofegante, sentindo o peso das palavras alheias esmagar a vaidade que o sustentava. Levantou-se com um gesto brusco, recolheu documentos, dispositivos, papéis espalhados, gestos entrecortados, indignados.

Antes de atravessar a sala, lançou um último olhar que mais parecia uma ameaça do que uma despedida:

— Vocês vão se arrepender disso. Vou processar, vou expor, vou… — as palavras viraram fumaça. Nenhuma delas encontrava caminho onde antes havia apoio.

Ele empurrou a cadeira e saiu em passos igualmente bruscos, arrastando consigo a sobra de autoridade que lhe restava.

A porta se fechou com um estalo seco.

Ficaram na sala os corpos imóveis dos que viram um reinado ruir: conselheiros com o rosto pálido, alguns cochichando, outros ainda em choque; Eduardo, ao lado de Dorian, ajustando a gravata com a compostura de quem já sabia o que vinha; e Dorian, que inclinou a cabeça apenas o suficiente para deixar transparecer um mínimo de satisfação contida.

Quando o silêncio voltou a ser suportável, um dos conselheiros, de voz baixa, quase protocolar, murmurou:

— Precisaremos formalizar a ata e notificar os órgãos competentes.

Dorian acenou, como quem confirma um passo já esperado.

— Façam isso. — A sua voz não possuía celebridade nem júbilo; era a de quem conclui um trabalho feito com precisão. — E, por favor, mantenham a discrição. Há bastidores que costumam atrair gente inconveniente.

Eduardo levantou-se e, sem esperar mais, saiu do recinto junto de Dorian.

Enquanto caminhavam para a porta, olhavam para frente com a frieza de quem observou um antigo rei ser despojado das insígnias, um rito de passagem sem festa, apenas a constatação nua do poder deslocado.

Do lado de fora da sala, corredores que minutos antes vibravam com passos confiantes agora ecoavam vazios.

A notícia da queda se espalharia e com ela, o rastro de um império que mudava de mãos, não com chamas ou ruído, mas com papéis, votos e a frieza calculada de um homem que transformou paciência em suprema execução.

Dorian voltou para o próprio escritório com o mesmo ar implacável que carregara ao deixar a construtora de Natan.

Quando entrou em sua sala, chamou a secretária com a voz habitual, controlada e sem pressa:

— A agenda de hoje.

Ela, organizada como sempre, abriu a pasta diante dele.

— Destronar Natan foi o bastante por hoje.

Malu engasgou com a própria saliva, arregalando os olhos.

— Como é que é? Você está dizendo que… conseguiu mesmo?

Ele apenas sorriu de canto, o olhar frio substituído por um brilho de satisfação rara.

— Natan não manda mais em nada. E acredito que ele vai levar um bom tempo pra mandar de novo em alguma coisa.

Malu deixou escapar uma risada nervosa, quase incrédula.

— Isso sim é um presente para Francine.

Dorian ficou em silêncio, mastigando devagar o biscoito, até que um pensamento se acendeu em sua mente. Levantou os olhos para Malu com uma expressão que misturava cálculo e uma ponta de entusiasmo.

— Por falar em presente, amanhã tenho um leilão beneficente para ir. Vou comprar algo para Francine. Mas você conhece ela melhor do que eu, então você vai comigo.

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