Malu quase deixou a xícara cair.
O choque transformou-se num riso nervoso que logo deu lugar a um protesto sincero.
— Sem chance! — exclamou, levando as mãos ao peito. — Eu não tenho nem o que vestir numa ocasião dessas!
Dorian ergueu um canto de boca, divertido com a expressão dela.
— Não seja por isso. Amanhã você tira o dia de folga e vai às compras. — falou com a calma de quem já decidiu. — Vou pedir que Denise te acompanhe e providencie o pagamento do que você escolher.
Malu arregalou os olhos, incrédula.
— Não, senhor Dorian, eu não sou a Francine, nunca tive aulas de etiqueta, vou te fazer passar vergonha…
Ele a interrompeu com um tom que misturava comando e cuidado, máscara costumeira de quem não trocava ordens por afeto, mas que naquele instante soava surpreendentemente protetor.
— Malu, você vai. É uma ordem. E não se preocupe, eu vou garantir que ninguém te diminua.
Malu sorriu, meio sem jeito, não sabia se de prazer por ele a defender ou de pudor por ser o centro daquele cuidado.
Sabia também, com a lógica afiada que mantinha, que aceitar significava entrar num mundo que não era o seu: vestidos, jóias, cumprimentos curtos e sorrisos medidos.
Mas, ao mesmo tempo, algo no modo como Dorian encarava a ideia fazia ela sentir-se importante de um jeito novo.
— Tudo bem — cedeu por fim, rendendo-se com um suspiro dramático que tentava soar indignado e terminou soando contente. — Vou ao leilão. Mas se eu tropeçar em cima do tapete vermelho, eu responsabilizo você.
Ele deixou escapar um riso leve, o próprio relaxamento de quem finalmente partilhava um segredo com alguém de confiança.
Assim que Dorian saiu da cozinha, o silêncio ficou no ar, preenchido apenas pelo tic-tac discreto do relógio de parede.
Malu permaneceu imóvel por alguns segundos, olhando para a porta por onde ele havia passado, ainda absorvendo o peso da conversa.
Aos poucos, o choque inicial deu lugar a uma excitação tímida, a mente já correndo solta com imagens do que seria o tal leilão beneficente.
Ela se apoiou no balcão, pegou a colher de pau esquecida sobre a panela e, de repente, ergueu-a como se fosse um martelo de leiloeiro.
Endireitou as costas, adotou um tom solene e anunciou para o nada:
— Dois milhões!
A própria encenação arrancou dela uma gargalhada alta, tão inesperada que precisou se apoiar na bancada para não desmoronar junto com a crise de riso.
O coração leve, as bochechas coradas, fazia tempo que não se deixava levar por uma fantasia boba assim.
Ainda rindo, ela quase não percebeu o celular vibrando no bolso do avental.

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