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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 167

Malu quase deixou a xícara cair.

O choque transformou-se num riso nervoso que logo deu lugar a um protesto sincero.

— Sem chance! — exclamou, levando as mãos ao peito. — Eu não tenho nem o que vestir numa ocasião dessas!

Dorian ergueu um canto de boca, divertido com a expressão dela.

— Não seja por isso. Amanhã você tira o dia de folga e vai às compras. — falou com a calma de quem já decidiu. — Vou pedir que Denise te acompanhe e providencie o pagamento do que você escolher.

Malu arregalou os olhos, incrédula.

— Não, senhor Dorian, eu não sou a Francine, nunca tive aulas de etiqueta, vou te fazer passar vergonha…

Ele a interrompeu com um tom que misturava comando e cuidado, máscara costumeira de quem não trocava ordens por afeto, mas que naquele instante soava surpreendentemente protetor.

— Malu, você vai. É uma ordem. E não se preocupe, eu vou garantir que ninguém te diminua.

Malu sorriu, meio sem jeito, não sabia se de prazer por ele a defender ou de pudor por ser o centro daquele cuidado.

Sabia também, com a lógica afiada que mantinha, que aceitar significava entrar num mundo que não era o seu: vestidos, jóias, cumprimentos curtos e sorrisos medidos.

Mas, ao mesmo tempo, algo no modo como Dorian encarava a ideia fazia ela sentir-se importante de um jeito novo.

— Tudo bem — cedeu por fim, rendendo-se com um suspiro dramático que tentava soar indignado e terminou soando contente. — Vou ao leilão. Mas se eu tropeçar em cima do tapete vermelho, eu responsabilizo você.

Ele deixou escapar um riso leve, o próprio relaxamento de quem finalmente partilhava um segredo com alguém de confiança.

Assim que Dorian saiu da cozinha, o silêncio ficou no ar, preenchido apenas pelo tic-tac discreto do relógio de parede.

Malu permaneceu imóvel por alguns segundos, olhando para a porta por onde ele havia passado, ainda absorvendo o peso da conversa.

Aos poucos, o choque inicial deu lugar a uma excitação tímida, a mente já correndo solta com imagens do que seria o tal leilão beneficente.

Ela se apoiou no balcão, pegou a colher de pau esquecida sobre a panela e, de repente, ergueu-a como se fosse um martelo de leiloeiro.

Endireitou as costas, adotou um tom solene e anunciou para o nada:

— Dois milhões!

A própria encenação arrancou dela uma gargalhada alta, tão inesperada que precisou se apoiar na bancada para não desmoronar junto com a crise de riso.

O coração leve, as bochechas coradas, fazia tempo que não se deixava levar por uma fantasia boba assim.

Ainda rindo, ela quase não percebeu o celular vibrando no bolso do avental.

Queria abrir o jogo, contar sobre o leilão, sobre como Dorian já estava planejando o próximo passo.

Mas só de imaginar Dorian bravo por ela ter contado, um calafrio percorreu sua espinha.

Então respirou fundo e desviou a conversa, procurando ancorar Francine no que realmente importava:

— Escuta, o que importa não é como você reage a ele agora. O que importa é o que você quer pra você. Você precisa decidir se vai deixar que isso influencie sua vida… ou se vai seguir em frente sem olhar pra trás.

Do outro lado, Francine ficou em silêncio por alguns instantes, até que um riso nervoso escapou.

— Você fala como se fosse fácil. Mas quando olho pra tudo o que ele faz, parece que ele está em cada passo meu, mesmo de longe.

— Talvez esteja — Malu respondeu baixinho, apoiando-se na pia e olhando para a colher de pau ainda ali, como se fosse cúmplice do segredo. — Mas no fim, é você quem decide o que fazer com isso.

Francine suspirou, cansada.

— É… você sempre dá um jeito de me colocar com os pés no chão. Ainda bem que eu tenho você.

Malu sorriu sozinha, escondendo o peso do que não podia revelar.

— Sempre, minha amiga. Sempre.

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