O hall da mansão estava iluminado por lustres imponentes quando Dorian surgiu, impecável em seu terno preto de corte preciso.
O brilho discreto da gravata de seda refletia a frieza habitual em seus olhos.
Malu já o aguardava alguns passos à frente, vestida em um longo de tecido fluido, que parecia realçar a juventude em contraste com a solenidade do ambiente.
— Vamos. — disse, curto, sem cerimônias, estendendo-lhe o braço.
Malu respirou fundo, ajeitando discretamente o vestido antes de aceitar o gesto.
Caminharam lado a lado pelo mármore polido até o carro que os aguardava na entrada. A noite estava fria, mas a expectativa no ar carregava um calor peculiar.
Ao adentrar o carro, Malu fitou a própria imagem refletida no vidro escuro, tentando decifrar se o que sentia era nervosismo ou pura antecipação.
Dorian, por sua vez, apenas se recostou, ajustando o relógio no pulso, como se cada segundo estivesse exatamente sob seu controle.
O carro deslizou suavemente até a entrada iluminada do hotel onde ficava o salão de leilões.
Os holofotes varriam a fachada de mármore, refletindo a imponência do evento.
Valetes apressados se encarregaram da porta, e Dorian, com a calma habitual, ofereceu o braço a Malu para que ela descesse.
Assim que atravessaram as portas de vidro, o ambiente sofisticado os envolveu: lustres de cristal espalhando uma luz dourada, música clássica ao fundo, vozes mescladas em conversas discretas.
Homens de terno e mulheres em vestidos caros desfilavam taças cintilantes, como se cada gesto fosse cuidadosamente ensaiado.
Dorian avançava seguro, cumprimentando conhecidos com acenos contidos e apertos de mão firmes.
Malu, ao lado dele, lutava para controlar a própria respiração. Sentia-se exposta, como se cada olhar daquelas mulheres elegantes pudesse desnudar sua insegurança.
Um garçom passou oferecendo bebidas em bandejas de prata, e ela pegou uma taça de espumante, observando disfarçadamente a postura dos demais convidados para imitar o jeito correto de segurar.
Inclinou-se um pouco para Dorian e sussurrou, nervosa:
— Vai demorar muito para começar o leilão? Tô com medo de morder um canapé na posição errada e me expulsarem daqui.
Dorian arqueou uma sobrancelha, surpreso com a espontaneidade do comentário, e não conseguiu segurar o riso.
— Malu, relaxa. Você está comigo, ninguém vai te expulsar.
Enquanto ele ainda falava, inclinado na direção dela, uma voz grave interrompeu a cena.
— Achei que você iria para a França. Encontrou um bom motivo pra continuar no Brasil? — Cassio surgiu com um meio sorriso e um pigarro forçado, indicando Malu com um discreto aceno do queixo.
Dorian se endireitou, a expressão fria retornando imediatamente.
— É claro que não. Apenas quero garantir que não vou chegar no encontro de mãos vazias.
Cassio não perdeu a deixa. Seu olhar percorreu Malu com intensidade e malícia antes de soltar:
— Ah… s-sim… o prazer…
Enquanto isso, Dorian observava a cena em silêncio, com a expressão endurecida, mas Malu estava ocupada demais tentando se recompor para notar.
"Meu Deus, ele parece saído de um filme, e tá falando comigo!" pensou.
Ela ainda estava sem chão, tentando se recompor do turbilhão que Cassio tinha provocado, quando a voz firme do mestre de cerimônias ecoou pelo salão:
— Senhoras e senhores, peço a gentileza de se dirigirem aos seus lugares. Dentro de instantes, daremos início ao leilão beneficente.
O burburinho elegante se transformou em movimento organizado.
Dorian tocou de leve no braço de Malu, guiando-a até uma cadeira reservada na primeira fileira.
Ela ajeitou o vestido discretamente e se sentou, o coração ainda em disparada.
Cassio, com um meio sorriso malicioso, não perdeu a chance.
Assim que Dorian tomou o assento à esquerda de Malu, ele se inclinou e ocupou a cadeira à direita dela, como se tivesse sido planejado desde sempre.
Dorian ergueu os olhos devagar, sem dizer uma palavra, mas o recado estava claro no olhar gélido que lançou:
"Não vai fazer merda, hein."

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