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Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras romance Capítulo 169

Cassio apenas respondeu com um sorriso provocador, ajeitando o paletó e inclinando-se na cadeira, como se estivesse muito confortável com a advertência silenciosa.

Malu, por sua vez, apertou a taça entre os dedos, nervosa.

O perfume sofisticado ao lado direito e a presença imponente ao lado esquerdo a deixavam quase sem ar.

O salão, iluminado por lustres de cristal, começava a se aquietar quando o leiloeiro subiu ao pequeno palanque, abrindo o catálogo em mãos.

Ainda assim, o burburinho dos convidados persistia em alguns cantos.

Malu, tentando se camuflar naquele mar de gente elegante, se refugiava no catálogo distribuído logo na entrada.

Folheava as páginas com atenção, como se estivesse decifrando um código secreto, cada descrição mais rebuscada que a outra.

Cássio, sentado ao lado dela, inclinou-se o suficiente para que sua voz grave fosse ouvida apenas por ela:

— Esse anel é interessante… — disse, indicando uma peça de esmeralda cercada de diamantes na página que ela segurava. — Combinaria perfeitamente com mãos delicadas como as suas.

Malu engoliu em seco, a ponta das orelhas queimando. Baixou o olhar, fechando o catálogo devagar, como quem esconde um segredo.

— Eu só estou aqui como expectadora. — murmurou, quase se desculpando. — Não pretendo dar nenhum lance.

Ele sorriu de canto, um gesto rápido, calculado, que mais parecia uma promessa.

Seus olhos, porém, permaneceram fixos nela por um instante a mais do que o necessário.

— Mas eu posso. — replicou, voltando a encarar o palanque com ar de quem já decidira algo.

O martelo do leiloeiro tilintou contra o púlpito, chamando a atenção de todos os presentes.

Um silêncio respeitoso se espalhou pelo salão.

Malu respirou fundo, ainda sentindo a reverberação das palavras de Cássio, como se ele tivesse acabado de lançar o primeiro lance da noite, não sobre uma joia, mas sobre ela mesma.

Dorian inclinou-se levemente para Malu, sua voz baixa mas firme, cortando o burburinho do salão:

— Você acha que essa peça seria ideal para Francine?

Malu piscou algumas vezes, ainda atordoada pela proximidade e pelo charme de Cássio. Ela abriu a boca, mas as palavras se embaralharam antes de saírem.

— Eu… eu acho que vou precisar olhar o catálogo de novo — disse, tropeçando nas sílabas, segurando o folheto como se fosse um escudo. — Só mais uma vez para decidir qual é a melhor opção…

Dorian sorriu de canto, apreciando a honestidade dela e a timidez que ainda persistia, e inclinou-se para folhear o catálogo ao lado dela, guiando o olhar dela sem pressa.

Enquanto isso, o leiloeiro erguia o primeiro item, e os olhares de todos se voltavam para o palanque, mas Malu mal conseguia se concentrar no que estava acontecendo.

Seu coração ainda disparava, e a sensação de que estava sendo observada por Cássio apenas aumentava a confusão em sua mente.

— Então é isso — disse ela, fechando o catálogo com cuidado, como se tivesse acabado de selar um acordo. — A tiara será dela.

Dorian reclinou-se na cadeira, satisfeito.

Um leve sorriso curvou seus lábios, como se, naquele instante, já conseguisse visualizar Francine usando a joia, irradiando a luz que ele sempre soube que ela tinha.

O leiloeiro ergueu a peça seguinte com um brilho cerimonioso no olhar: um delicado anel em ouro branco que sustentava três pedras centrais, dispostas em perfeita harmonia, a maior no centro e duas menores ladeando. Seu brilho suave refletia a luz de maneira íntima, como um segredo valioso; uma joia feita para capturar olhares, sem jamais gritar.

As palavras de exaltação ecoaram entre os convidados, descrevendo sua origem rara, o trabalho artesanal e o simbolismo de eternidade que o acompanhava.

O silêncio que se formou em seguida durou apenas um instante. Antes que qualquer outro pudesse erguer a placa, Cássio já tinha se adiantado, levantando o número com a mesma naturalidade de quem estende um brinde.

— Duzentos mil.

Malu virou a cabeça quase no reflexo, como se um fio invisível a puxasse em direção a ele.

Encontrou-o de frente pra ela, sorrindo daquele jeito sacana que a desarmava mais do que queria admitir.

E, como se não bastasse, ele ainda lhe deu uma piscada rápida, antes de abaixar a placa com elegância calculada.

O coração dela disparou.

O salão inteiro parecia continuar respirando o leilão, mas, para Malu, naquele instante, o tempo congelou.

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