Outros três convidados acompanharam o lance de Cassio, os números subindo rápido, o leiloeiro conduzindo o ritmo com voz firme.
A cada novo lance, porém, Cássio não tirava os olhos de Malu.
O sorriso insinuante, quase imperceptível, parecia feito para desconcertá-la, e conseguia.
O coração dela acelerava, e a pergunta martelava em sua mente:
"O que esse homem está fazendo?"
Dorian, por sua vez, não se moveu. Acompanhava em silêncio, o olhar fixo em Cássio, analisando cada gesto.
Aquilo não era apenas sobre o anel, ele sabia. Havia uma intenção escondida ali, e ele precisava entendê-la.
Um a um, os outros participantes desistiram, deixando a disputa restrita àquele único nome. Com a mesma calma de quem já sabia o resultado, Cássio ergueu a placa pela última vez.
— Dou-lhe uma, dou-lhe duas… vendido! — anunciou o leiloeiro, batendo o martelo.
O salão aplaudiu discretamente, mas Malu mal registrou o som.
Seus olhos estavam presos no homem ao lado, que, ao receber os parabéns da mesa vizinha, virou-se só para ela.
Cassio piscou devagar, carregado de malícia, antes de se recostar na cadeira com o ar vitorioso de quem tinha conseguido muito mais do que um anel.
Enquanto o leiloeiro se preparava para anunciar o próximo item, Dorian se inclinou levemente para o lado, a voz baixa, mas cortante:
— Existem maneiras mais adequadas de tentar impressionar uma mulher.
Malu arregalou os olhos, incapaz de acreditar no que acabara de ouvir.
"Ele realmente disse isso?"
O calor subiu pelo pescoço dela até o rosto, deixando-a sem reação, perdida entre a surpresa e a vergonha.
Cássio, no entanto, apenas riu baixo, girando a placa de lance entre os dedos antes de colocá-la novamente sobre as pernas.
— E quem disse que eu estava tentando impressionar? — retrucou, arqueando uma sobrancelha e lançando um olhar rápido para Malu, que imediatamente desviou os olhos.
Dorian manteve o semblante impassível, mas os músculos do maxilar denunciaram sua irritação.
Malu, ainda tentando dissipar o peso da troca de farpas, soltou de repente:
— Olha, se a ideia é me impressionar, não precisava comprar um anel. Um morango do amor já faria o serviço. — disse, erguendo as sobrancelhas com um meio sorriso.
Cassio arqueou o canto da boca, divertido com a ousadia inesperada, e inclinou-se só o suficiente para que apenas ela ouvisse:
— Nesse caso, vou comprar a barraca inteira.
— Sen-senhor… quatro milhões? — repetiu, gaguejando, tentando manter a compostura.
— Isso mesmo. — Dorian respondeu sem pressa, como se tivesse acabado de anunciar a coisa mais trivial do mundo.
Ninguém ousou levantar outra placa.
O salão, que antes fervilhava de cochichos e apostas discretas, mergulhou em um silêncio sepulcral.
O leiloeiro, ainda com o martelo suspenso, gaguejou antes de confirmar:
— Q-Quatro milhões... Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Vendido!
O som seco do martelo ecoou como um trovão no salão silencioso.
Malu estava imóvel, a boca levemente aberta, os dedos crispados no catálogo que ainda segurava.
Nem sequer piscava, como se tivesse sido petrificada pela ousadia de Dorian.
Foi Cássio quem quebrou o ar rarefeito, soltando um riso incrédulo antes de se inclinar para o lado dela e soltar, em tom baixo, mas perfeitamente audível:
— Depois eu que tô tentando impressionar os outros.

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