Uma limusine preta deslizou suavemente até a entrada do prédio.
O burburinho dos convidados que aguardavam do lado de fora se dissipou, substituído pelo clique frenético das câmeras.
Os fotógrafos se inclinaram à frente, já esperando que alguma celebridade surgisse.
Mas antes que Chloé pudesse mover a perna para fora do carro, uma mão masculina segurou a dela com firmeza.
O homem que a acompanhava, um senhor grisalho, de terno preto impecável e ar contido, inclinou-se levemente na direção dela e disse, num tom baixo, porém cortante:
— Lembre-se: o convidado sou eu, e você é apenas a acompanhante. Não quero ver meu nome nas colunas de fofoca amanhã.
Chloé ergueu o queixo e sorriu, um sorriso doce, ensaiado.
— Claro, querido.
Ela deslizou para fora da limusine com a leveza de quem ensaia há anos para um momento como aquele.
Assim que seus saltos finos tocaram o tapete vermelho, ergueu levemente o queixo e deixou que os flashes a envolvessem.
O vestido vermelho de cetim, justo ao corpo como uma segunda pele, tinha um decote reto e uma fenda lateral ousada, que ela fez questão de exibir num giro sutil da perna.
O cabelo loiro platinado, preso num coque alto e polido, deixava o pescoço e os ombros à mostra, ressaltando o brilho frio do colar curto cravejado de pedras claras.
Os lábios, pintados num vermelho aveludado, esboçaram um sorriso que parecia feito sob medida para as câmeras.
Por alguns instantes, Chloé se deixou embalar pela fantasia de ser a estrela mais aguardada da noite, como se todo o evento girasse em torno dela.
O empresário suspirou, passou a mão firme pela cintura dela e inclinou-se novamente, sussurrando junto ao seu ouvido:
— Já foi o suficiente. Vamos.
Ela lançou a ele um sorriso doce demais para ser sincero, agarrou o braço que ele oferecia e, lado a lado, subiram com passos calculados os degraus do tapete vermelho, sob a luz dos flashes que pareciam brilhar só para ela.
Do alto da escadaria, Chloé se sentia triunfante.
O braço preso ao de Maurice Bastien, o empresário francês responsável por parte do financiamento da Montblanc, lhe dava ares de importância.
Ela ajeitou discretamente a fenda do vestido, saboreando a atenção que ainda conseguia arrancar dos fotógrafos no pé das escadas.
Foi então que ela avistou alguém subindo os degraus com passos calmos e postura impecável: Lohan.
O terno negro de corte preciso realçava seus ombros largos, e a gravata estreita, num tom vinho profundo, dava um toque de irreverência ao visual clássico.
Lohan parou ao lado dos dois, inclinou levemente a cabeça para cumprimentar Henri com um sorriso cortês.
O primeiro salto dourado tocou o tapete vermelho, seguido pelo outro, e então todo o vestido translúcido se revelou sob os flashes, cintilando como se tivesse sido costurado com luz.
O tecido leve escorria sobre o corpo dela em camadas etéreas, deixando entrever a ousadia das hotpants douradas.
Cada passo era calculado, mas natural, e a confiança no olhar dela parecia engolir todo o cenário.
O burburinho cresceu.
Pessoas que até então conversavam entre si voltaram o rosto, curiosos, atraídos por aquela figura que parecia roubar oxigênio do ambiente.
Francine não precisou sorrir demais, nem forçar uma pose.
O simples fato de estar ali já era espetáculo suficiente.
Por um instante, ninguém respirou.
Até os flashes pareceram vacilar, como se os fotógrafos estivessem confirmando que realmente viam o que viam.
Chloé, ainda no alto da escadaria, apertou de leve o braço de Henri, sentindo um calor incômodo subir pela nuca.
Lohan, ao contrário, manteve-se em silêncio, os olhos fixos na mulher que agora caminhava rumo ao tapete vermelho, não com a arrogância de uma estrela, mas com a confiança serena de quem sabia que pertencia àquele lugar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras