O carro em que Francine estava deslizou lentamente até a entrada do hotel histórico onde acontecia o baile.
As luzes douradas refletiam na lataria preta, criando um brilho quase líquido.
Francine, do banco de trás, observou a fachada imponente, colunas de mármore, janelas arqueadas, lustres que cintilavam atrás dos vitrais.
Por um instante, teve a sensação de ser pequena demais para aquele cenário.
Respirou fundo.
O motorista abriu a porta com um gesto cortês, e o barulho dos flashes estourando do lado de fora invadiu o interior do carro.
Francine passou a mão levemente na barra do vestido, sentindo o frio dos paetês sobre o tecido translúcido. A tensão que subia por sua espinha foi contida por uma lembrança que a fez sorrir discretamente:
“Calma, Francine… não é tão diferente de uma passarela.”
Ajeitou a postura, ergueu o queixo, e, com a serenidade que treinara por anos, saiu do carro.
O ar da noite estava morno, carregado de expectativa.
Assim que seus saltos dourados tocaram o tapete vermelho, a tempestade de flashes a envolveu, um clarão incessante que a cegava momentaneamente.
Ela não se apressou.
Ficou ali, estática por alguns segundos, permitindo que os fotógrafos tivessem seus primeiros registros, que as luzes explodissem, saturassem, até que a onda inicial de cliques começasse a se acalmar.
Só então, com a mesma calma de quem dá início a um desfile, deu o primeiro passo.
O vestido cintilava a cada movimento, e os olhares pareciam segui-la como se o ambiente inteiro tivesse ficado em suspenso.
Ela sentia a confiança crescer a cada passo, enquanto subia os primeiros degraus.
Quando ergueu o olhar para o topo da escadaria, viu Lohan. Ele estava imóvel, como se tivesse esquecido de respirar.
O terno preto lhe caía perfeitamente, e havia algo quase cinematográfico na maneira como ele desceu dois degraus, como se fosse atraído por uma força invisível.
Os olhos dele, fixos nela, diziam mais do que qualquer comentário.
Pouco ao lado dele, Francine notou Chloé.
A expressão de nojo estampada no rosto da outra modelo era impossível de ignorar.
Chloé virou-se com um gesto brusco, o queixo levemente erguido, e entrou no salão ao lado de Maurice, sem sequer disfarçar o desdém.
Francine continuou a subir, sustentando o olhar de Lohan até que, finalmente, ele a alcançou no meio da escadaria.
A presença dele dissipou a tensão que apertava seu peito.

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