Dorian olhou pela enésima vez para o relógio. O ponteiro parecia se arrastar, zombando de sua ansiedade.
Um incômodo que ele raramente sentia começou a pesar sobre o peito.
A ideia de que talvez ela não viesse o fazia reconsiderar, pela primeira vez em semanas, a própria escolha de ter esperado tanto por aquele encontro.
Respirou fundo, passou a mão pelo cabelo com um gesto controlado, quase militar, e decidiu que precisava fazer algo para aliviar a tensão.
Seus passos, firmes porém contidos, o levaram até o bar do salão.
Sentou-se no banco de couro macio, apoiou os antebraços no balcão polido e chamou a atenção do bartender com um leve aceno de cabeça.
— O que vai beber, senhor? — perguntou o homem atrás do balcão, com a postura impecável de quem já tinha servido inúmeros clientes exigentes.
— Um Negroni — respondeu Dorian, sem pensar muito, a voz grave saindo num tom baixo que mal foi ouvido sobre a música ambiente.
Assim que pronunciou aquelas palavras, algo dentro dele pareceu se remexer.
O nome do drink evocava memórias. Lembrou-se de quando havia conhecido Francine, naquela noite marcante do baile em sua mansão. Ela, tão elegante e confiante, pedindo exatamente o mesmo drink.
A lembrança bateu forte, como um sopro de déjà vu que apertou seu peito.
Seus lábios se curvaram levemente, não num sorriso, mas num traço amargo de quem é surpreendido pelo próprio coração.
Observou o bartender começar a misturar a bebida, medindo cada dose com precisão, girando o copo com um movimento firme.
O cheiro do gin e do bitter já começava a subir, familiar e quase reconfortante.
E então, sem saber bem por quê, Dorian interrompeu o homem:
— Faça dois, por favor.
O bartender ergueu uma sobrancelha, mas não comentou. Apenas continuou a preparar o segundo copo com a mesma calma profissional.
Dorian não explicou.
Uma parte dele, a mais orgulhosa, se irritou com o gesto.
A outra, mais profunda e que ele raramente escutava, sabia que era como se ela estivesse prestes e a chegar.
Quando os dois copos deslizaram sobre o balcão na sua direção, Dorian os pegou, um em cada mão, e girou no banco para olhar o salão.
O barulho das conversas, o som da orquestra ao fundo, o movimento dos convidados… tudo pareceu perder o foco no momento seguinte.
Por um instante, ele esqueceu de respirar.
Seus olhos, acostumados a detectar pequenos detalhes em meio ao caos, encontraram um ponto fixo do outro lado do salão: a entrada principal.
Ali, sob as luzes douradas e rodeada de olhares curiosos, estava Francine.
Ela atravessava a porta como quem atravessa uma fronteira. O vestido dourado capturava cada raio de luz, cintilando a cada passo.
O contraste entre a suavidade do tule e a confiança com que caminhava fez com que todos os ruídos ao redor de Dorian se transformassem num eco distante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras