A porta se abriu com um estalo suave e, assim que Francine cruzou o limiar, um feixe de luz dos flashes dos fotógrafos explodiu contra seu rosto.
Ela piscou algumas vezes, a visão embaralhada, sentindo o calor das luzes e o burburinho dos convidados à frente.
Por instinto, parou no lugar, ainda se adaptando.
Lohan, ao lado dela, manteve a calma habitual. Ofereceu o braço com a mesma elegância com que alguém oferece uma dança.
Francine aceitou o gesto, apoiando a mão com delicadeza, e soltou uma risada breve, quase infantil:
— Acho que fiquei meio cega…
Ele inclinou o rosto para ela, um sorriso de canto surgindo nos lábios.
— Achei que você já estivesse acostumada com os flashes.
E então, baixou levemente a cabeça até a altura do ouvido dela, a voz soando baixa, aveludada, carregada daquela calma que parecia envolver tudo ao redor:
— …mas posso ser seu guia o tempo que precisar.
A proximidade fez com que Francine sentisse a respiração morna dele tocar de leve a pele do pescoço, provocando um arrepio que contrastou com a agitação do salão.
Ela soltou um risinho leve, o suficiente para quebrar a tensão que sentia no peito.
— Então talvez eu precise mesmo — respondeu, fingindo um tom despreocupado, embora sua voz tivesse uma nota baixa, quase tímida.
Lohan retribuiu com um sorriso que parecia feito sob medida para aquela ocasião, firme, seguro, e a conduziu com elegância para dentro do salão.
O barulho de conversas, os flashes e o tilintar de taças formavam um pano de fundo distante; o mundo parecia diminuir à medida que ela avançava alguns passos.
Foi então que um arrepio percorreu a espinha de Francine, um calafrio tão familiar que a fez prender a respiração.
Era a mesma sensação que havia sentido naquela noite do baile de máscaras, como se um par de olhos fosse capaz de atravessar a multidão e atingi-la diretamente.
Instintivamente, ela virou a cabeça, os olhos vasculhando o salão iluminado por lustres cintilantes, como se buscasse a origem daquele chamado silencioso.
E então o encontrou.
Dorian.
Ele estava a poucos metros, caminhando em sua direção com um controle quase perturbador, cada passo medido, lento, mas implacável.
Havia algo na postura dele, nos ombros retos, no olhar firme que não desviava do dela, que fez o tempo ao redor desacelerar.
Francine sentiu o coração bater mais forte, uma batida tão viva que chegou a doer.
Manteve os olhos fixos nos dele e, por instinto, recusou-se a piscar, com medo de que aquele momento se desfizesse, de que fosse apenas uma miragem criada pelo seu próprio desejo.
Dorian atravessava o salão com uma calma que parecia estudada, mas cada passo tinha a firmeza de alguém que não permitiria que nada interrompesse seu caminho.
As luzes do lustre refletiam nos cristais âmbar dos copos que ele carregava nas mãos, e o contraste entre a frieza do seu semblante e a delicadeza com que segurava os drinks tornava a cena quase hipnótica.
Seus dedos roçaram de leve nos dele, e o toque fugaz foi o suficiente para despertar algo adormecido entre os dois.
Dorian a observou com um olhar que não carregava a frieza habitual. Havia ali uma chama contida, uma intensidade que ela conhecia bem.
O modo como ele a fitava era o mesmo de meses atrás: como se pudesse decifrá-la com os olhos, como se enxergasse além da fachada que ela tentava erguer.
— Algumas coisas não mudam — respondeu ele, mantendo a voz baixa, quase íntima, embora ainda houvesse aquela ponta de dureza, como se cada palavra tivesse sido cuidadosamente escolhida.
Francine levou o copo aos lábios, mais para disfarçar o tremor nas mãos do que por vontade de beber.
O sabor amargo tocou sua língua e ela sentiu uma pontada de nostalgia, como se aquele gole a transportasse para outra época.
Dorian inclinou levemente a cabeça para estudá-la. A proximidade entre eles não era excessiva, mas também não havia espaço suficiente para escapar do peso daquele olhar.
Por um momento, ela teve a impressão de que ele diria algo, talvez uma lembrança, talvez um comentário mordaz, talvez uma confissão, mas ele permaneceu em silêncio, como se estivesse se deliciando com a própria presença dela ali, tão perto, tão real.
Francine respirou fundo, tentando recuperar o controle.
Era estranho como, mesmo depois de tanto tempo, estar diante dele ainda a desestabilizava daquele jeito.
Por mais que tivesse ensaiado na mente como seria esse reencontro, nada a preparara para a intensidade silenciosa daquele instante.
Ele, por sua vez, manteve o olhar firme nos olhos dela, como se quisesse provar que estava, enfim, diante da mulher que passara tantas noites tentando reencontrar.
Nenhum dos dois disse mais nada. Não precisavam. O silêncio que se estendeu entre eles carregava uma densidade que as palavras dificilmente alcançariam.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Beijada pelo Chefe no Baile de Máscaras