Francine soltou um riso leve, levando a xícara aos lábios e saboreando o café enquanto contava a Adele os detalhes do baile.
Falou sobre o ambiente luxuoso do baile, sobre o peso da coroa em sua cabeça quando foi anunciada como o novo rosto da Montblanc, sobre os olhares invejosos que cruzou, e também sobre o escândalo envolvendo Chloé.
Adele ouviu tudo com a atenção de sempre, sem interromper, absorvendo cada palavra como se estivesse assistindo a uma cena de teatro diante dos olhos.
O sol da tarde entrava pela janela, tingindo a sala de um dourado suave, e a cena tinha algo de familiar e reconfortante como se, apesar de toda a agitação das últimas 24 horas, a vida estivesse aos poucos retomando seu ritmo.
Quando Francine terminou, Adele se recostou na cadeira, cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha com aquele ar maternal de quem já sabia a resposta, mas queria ouvir da própria boca dela:
— Então quer dizer que você realmente ouviu meu conselho e deu uma segunda chance ao seu ex-patrão?
— Não tinha como dar uma de durona — disse ela, baixando a xícara e apoiando o cotovelo na mesa. — Como você mesma disse, acho que todos nós nos precipitamos. Foi preciso um tempo longe um do outro para entender que nem tudo era como parecia.
Adele fez um gesto lento com a cabeça, um assentir quase solene, como quem aprova, mas ainda guarda reservas.
— Bem… e como vai funcionar esse namoro a distância? — perguntou, com um tom entre curioso e prático. — Você em Paris, ele em meio a reuniões, contratos e viagens?
Francine respirou fundo, os olhos se desviando por um instante para a janela, como se buscasse uma resposta no horizonte da rua calma.
— Eu ainda não sei. Amanhã devo ir à Montblanc pra saber mais detalhes sobre o trabalho, e isso deve me dar alguma certeza. Acho que o rumo do nosso relacionamento vai depender muito do que for decidido lá.
Adele apoiou o queixo na mão, pensativa, mas sem perder o brilho divertido no olhar.
— Entendi… bem, mas agora que você se tornou o rosto da Montblanc, acho que isso merece uma comemoração.
Francine arqueou as sobrancelhas, surpresa, mas com um sorriso espontâneo.
— Comemoração?
— Claro! — Adele abriu um sorriso radiante. — Que tal sairmos para jantar hoje à noite? Nada muito extravagante, apenas nós quatro, em um restaurante acolhedor. Você pode inclusive chamar o Dorian.
Adele piscou de leve, o sorriso ampliando-se num traço travesso.
— Vamos ver se Pierre e eu aprovamos ele para nossa “segunda filha”.
— Adele! Você fala como se fosse um teste.
— E não é? — respondeu, inclinando-se sobre a mesa, piscando para ela com cumplicidade. — Quero ver se ele é digno de você.
Francine não conseguiu conter a risada, mas no fundo sabia que Adele falava sério.
— Não sei se ele vai topar… — disse, ainda sorrindo. — Mas eu gosto da ideia. Vai ser divertido.

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