O jantar seguia leve, com Adele dominando boa parte da conversa, alternando entre histórias engraçadas da infância e comentários espirituosos sobre as pessoas nas outras mesas.
Dorian ouvia com atenção, às vezes sorrindo, outras apenas observando em silêncio, como se cada gesto e palavra fossem cuidadosamente analisados.
Francine aproveitou uma pausa entre risadas para puxar um novo assunto, dessa vez mais pessoal.
— Por falar em família… — começou, mexendo distraidamente no garfo — Dorian, nunca ouvi você falar sobre seus pais.
O movimento das mãos dele cessou por um instante. Foi sutil, mas perceptível.
O olhar que até então estava calmo, desviou-se para o prato, e a atmosfera à mesa pareceu mudar de temperatura.
— Pra mim, eles morreram. — disse, de forma seca, sem alterar o tom de voz.
A resposta caiu sobre a mesa como uma pedra no lago, silenciosa, mas suficiente para quebrar o ritmo descontraído.
Adele, que ia fazer um comentário, apenas fechou a boca, percebendo que aquele era um território delicado.
Francine piscou, surpresa com a frieza na resposta.
Havia algo ali, não o luto de quem perdeu, mas o peso de quem decidiu enterrar um vínculo em vida.
Ela lembrou, quase instantaneamente, das palavras de Denise meses antes, num tom de reflexão inocente: “na casa onde ele cresceu, mostrar emoção era um convite para ser usado”.
Agora, diante dele, a frase soava mais densa, mais real.
Ela sentiu a vontade de perguntar mais, de entender o que havia por trás daquela barreira que ele erguia com tanta precisão.
Mas o olhar firme de Dorian a fez desistir.
— Entendi — murmurou apenas, tentando manter o tom leve, como quem aceita o limite que o outro impõe.
Adele, percebendo o clima, retomou a conversa com alguma piada sobre sobremesas e vinho, e aos poucos a leveza voltou a se espalhar pela mesa.
Pierre inclinou-se um pouco sobre a mesa, girando a taça entre os dedos com um sorriso curioso.
— E como foi que você virou olheiro da Montblanc, Dorian? — perguntou, com o tom leve de quem apenas queria manter o clima agradável. — Quer dizer, é um trabalho bem específico… você não parece o tipo que simplesmente acorda um dia e pensa “acho que vou caçar novos rostos por aí”.
Dorian relaxou os ombros e soltou um pequeno riso contido, mas sincero.

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