O jantar terminou com a mesma naturalidade com que havia começado.
Dorian chamou o garçom com um simples gesto.
Não houve troca de palavras, nem consulta à conta, apenas o deslizar de um cartão preto e o som discreto da máquina confirmando o pagamento.
Francine ainda se sentia estranha com a naturalidade dele diante dessas situações; era como se para Dorian o dinheiro fosse apenas um detalhe, nunca um obstáculo.
Quando saíram do restaurante, o ar noturno de Paris os envolveu como um sopro suave.
Dorian se aproximou de Francine.
— Que tal dar uma volta antes de eu te deixar em casa? — perguntou, a voz baixa, quase um convite sussurrado ao vento.
Adele trocou um olhar divertido com Pierre e assentiu, como quem dava sua bênção silenciosa.
Francine também assentiu.
— Claro, por que não?
Adele e Pierre se despediram com um sorriso. Os dois pareciam satisfeitos com o jantar e, principalmente, com o comportamento de Dorian.
Francine sorriu e seguiu com Dorian até o carro.
O veículo deslizou pelas ruas elegantes da cidade, e um silêncio confortável se instalou entre eles.
O som dos pneus sobre o asfalto molhado, vestígio de uma garoa leve que caíra mais cedo, criava um ritmo quase hipnótico.
De tempos em tempos, a mão de Dorian encontrava a perna dela num gesto automático, tranquilo, como quem buscava a confirmação de que ela ainda estava ali.
Os olhos dele, no entanto, permaneciam atentos à estrada, e Francine percebeu o quanto ele parecia à vontade naquele silêncio compartilhado.
Depois de alguns minutos, o carro parou diante da Pont Alexandre III, uma das pontes mais belas de Paris.
As luzes douradas refletiam na água e o cenário parecia saído de um filme, imponente, mas sereno.
Dorian saiu primeiro e contornou o carro para abrir a porta dela, um gesto que, vindo dele, parecia natural.
— Vamos caminhar um pouco — sugeriu.
Francine aceitou o braço que ele estendeu, e os dois começaram a andar lado a lado, ouvindo apenas o som distante do trânsito e o murmúrio do rio.
Por alguns instantes, ficaram em silêncio, até que Dorian foi o primeiro a falar:
— Obrigado pelo jantar — disse com voz baixa, mas sincera. — E por me fazer enxergar a vida de outra forma. Às vezes, eu esqueço que existe mais do que trabalho e metas.
Francine riu, com o tom leve que sempre usava para quebrar a tensão.

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